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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Meu mundo e nada mais


Por Danilo Meiras, em 14/01/2009.

Realmente eu não sei em que mundo vivo. Onde passo todos os minutos de meus dias eu sei muito bem a localização, seja do modo objetivo ou fantasioso. Minha alucinação é suportar o dia a dia e meu delírio é a experiência com coisas reais.

Ainda estou muito assustado com a notícia que li ontem à noite, por isso esses meus devaneios. Mas quando sei que uma quantia assustadora de dinheiro serviria para amenizar muitas dores e estaria sendo usada para a compra de um jogador de futebol - mesmo que seja o melhor do mundo, posso afirmar que existem vários mundos paralelos ao meu, que de tão perto (devido à minha afeição pelos esportes em geral) a distância separadora é tão longe, talvez infinita.

Até onde sei, o futebol é um esporte que mexe com as emoções ao extremo dos torcedores. Alguns jogadores salvam suas vidas e as de seus familiares graças ao talento e suor derramado em campo, faturando assim um dinheirinho bom para se curtir. É também uma forma de tirar meninos fadados ao mundo do tráfico e recolocá-los ao sabor do sol. O esporte cura, e essa asseveração é peremptória para que eu seja um apaixonado pelo mundo da bola.

Sei também que o futebol romântico e avassalador de outrora não existe mais. Hoje quem paga mais, leva o jogador embora. Dessa forma, quase não existem mais aqueles jogadores identificados com o clube. Um cara começa hoje no Guarani, temporada que vem vai pro Paraná, na outra fecha com o Palmeiras, assina um contrato com o Vasco, dá uma passada no Corinthians, joga umas partidas pelo Grêmio, faz uns gols pelo Botafogo, passeia pelo São Paulo, acerta com o Santos, bate uma bola no Flamengo e termina no São Caetano, além de sentir um friozinho na Europa e Japão. Agora, se eu disser que este cara existe, vocês acreditariam? E, ainda, se eu disser que além de existir este jogador foi campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 2002, vocês continuariam acreditando? Pois este é o currículo (de clubes) do centroavante Luizão.

Jogadores como Zico para os flamenguistas, Tostão para os cruzeirenses, Reinaldo para os atleticanos de Minas, Roberto Dinamite para os vascaínos, Nilton Santos para os botafoguenses, Vladimir para os corintianos, Falcão para os colorados e Pelé para os santistas (e brasileiros!) estão cada vez mais escassos no futebol brasileiro. Honras atuais para Marcos e Rogério Ceni, símbolos da fidelidade para palmeirenses e sãopaulinos, respectivamente.

Voltando ao jogador-produto, a iminente venda de Kaká do Milan para o Manchester City por cento e cinco milhões de euros, ou seja, trezentos e dezenove milhões e seiscentos mil reais transcende a qualquer tipo de esportividade. Parece-me uma luta a qualquer preço por uma estampa a mais numa camisa de um clube, visando obter o dinheiro gasto a um curto período possível sem se importar para quem realmente gosta de futebol, do esporte, das honrarias olímpicas.

Claro que cada um gasta com o que quiser, mas esta dinheirama toda não derrama em meu mundo. Sou como aquele cidadão comum que ouve os jogos de meu time no rádio de pilha, acompanha o noticiário esportivo diário e sente uma invejazinha apenas quando alguém noticia: Kaká ganhará quinze milhões de euros livres por ano. O que a maioria absoluta de quem é aficionado pelo futebol não ganhará nunca na vida inteira, talvez, nem se juntando todos de uma vez só. Depois não reclamem que o mundo anda cheio de revolta.

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