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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Crônicas do Chico Lang.

Em 08/10/2008

Adeus ao amigo Chicão. Antes de tudo um valente

São Paulo (SP) - O volante Chicão perdeu a única briga da vida dele. Valente, corajoso, pegador, o ex-são-paulino não conseguiu parar no peito e na raça um câncer no esôfago e acabou perdendo o jogo da vida. Morreu nesta madrugada aos 59 anos. O corpo está sendo velado na Câmara Municipal de Piracicaba e o presidente do Tricolor Paulista decretou luto oficial. Quando comecei a carreira de jornalista, no extinto Notícias Populares, fui entrevistá-lo. Afinal, Chicão havia parado na porrada o tal de Kempes, no Brasil e Argentina, na Copa de 1978, 0 a 0.

Chicão transformou-se em um 'Deus da Raça'. Me recordo que deu um carrinho no hermano, levantou-se e deu uma 'peitada' no bruto. O argentino perdeu o equilíbrio e caiu sentado, de novo. O volantão 'matou' o adversário, que arrastou-se em campo depois dessa dura.

Ele morava, na época, em um prédio da Afonso Bovero, no Sumaré, bairro de São Paulo. Marcamos em um barzinho, que ficava logo embaixo da casa do valente. Sentamos no balcão. Chicão vestia uma camisa preta, bem colada no corpo, e uma calça de linho creme. Calçava bota escura. Não me lembro a cor.

De cara, virou-se para o garçon e disse: 'Faz duas daquelas'. Fiquei na minha e começamos a conversar. De repente, chegaram duas caipirinhas em copos longos. Chicão, com um gole só, tomou metade. Olhou para mim e perguntou: 'Você bebe ou não?'. O autoritarismo dele me impulsionou e mandei a mesma dose para baixo.

Passaram-se horas e a conversa se esticou. Quando olhei para o balcão, já meio tonto, enrolando a língua, lá se foram quatro copões para cada um. Para dizer a verdade, foi a melhor entrevista da minha vida, em todos os sentidos. Duro foi escrevê-la na redação do NP. Foi a primeira de muitas.

Obrigado, Chicão. Hoje vou tomar uma em sua homenagem.

E tenho dito!

bolasolta@gazetaesportiva.com.br

Fonte: Gazeta Esportiva.

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