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sábado, 7 de maio de 2011

Religião se discute?

Eu sempre acreditei que religião e time de futebol são coisas que não se discutem, são assuntos que devem simplesmente ser respeitados. Hoje, depois de ver tantas contradições, resolvi trazer esse debate. Acredito que a discussão seja importante, sim, até para qualificar melhor as nossas decisões e opções.


Tenho visto muitas pessoas escondendo ou mentindo sobre suas religiões quando o censo bate em suas portas. Vejo também muitas pregando as suas ideologias e sendo criticadas por isso, por tentarem arrebanhar mais adeptos para suas crenças. Existe contradição nisso? Não seria natural tentar levar todos para o lugar que você considera um paraíso ?

Para evitar especulações digo logo qual é a minha. Sou católico apostólico romano fervoroso, porém não praticante. Aliás, nem lembro de ter praticado algum dia. Minha mãe, apesar de espírita no passado, nos batizou na igreja católica porque sempre acreditou que quem não tem padrinho morre “pagão”, era exatamente assim que ela dizia, e ainda diz.

O casamento é um ótimo exercício para essa reflexão. Muitas pessoas têm o sonho de casar na igreja, as mulheres vestidas de noiva com toda pompa e circunstância, mas o certo não seria ser parte da comunidade religiosa dessa igreja?

Outra questão que precisa ser discutida são as tensões entre as religiões. Pois apesar do discurso de tolerância temos que entender que fica muito difícil tolerar aquilo que você tem por principio combater. É o caso das regiões que tentam exorcizar os demônios do corpo de outros religiosos. Porém esses outros religiosos acreditam que suas entidades são tão sagradas quantos as imagens ou livros dos seus combatentes. E aí, irmão, não tem acordo. Ou tem?

Você como protestante deixaria seu filho brincar na casa de uma outra criança cujos pais sejam umbandistas ou ligados ao candomblé? Se fosse o contrário, você permitiria?

É comum evangélicos empregarem pessoas de outras religiões? Ou os não evangélicos darem oportunidades para os protestantes?

Seja quais forem as respostas, a tolerância religiosa não deve vir por medida provisória.

Em uma época em que nações inteiras são destruídas em nome de religiões, acredito que a discussão sobre elas não pode ter como objetivo desqualificar o outro ou simplesmente converter, mas consolidar as ideias e ideais.

Discutir, por exemplo, o impacto de algumas religiões que educam seus filhos e adeptos a acreditarem que os gays constituem um câncer social é uma forma de avançarmos socialmente. Discutir sobre religiões que oferecem o corpo de crianças para suas entidades é fundamental para a compreensão de alguns mitos pois consolida a construção de todo o nosso coletivo, para o bem e para o mal. A relevância do debate sobre religiões existe porque elas continuam sendo parâmetro de felicidade até para quem não se identifica com nenhuma.

Se você acha que eu só falei bobagem aqui, então essa será mais uma prova de que precisamos discutir esse tema. Vamos?

Por Celso Athayde . 06.05.11 - Yahoo! Notícias.

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