As Crônicas de Gelo e Fogo

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Análise Socrática dos Tempos Atuais

Do Mundo Virtual ao Espiritual



Frei Betto


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.


Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'


Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, só tenho aula à tarde'.


Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei.


'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada.


Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'


Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.


Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.


Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!’


Mas como fica a questão da subjetividade?


Da espiritualidade?


Da ociosidade amorosa?


Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual.


Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...


A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose. O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.


Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...


Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.


Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.


Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...


Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...


Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:


- "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Uma carroça chamada igreja


...se levarmos em conta a velocidade das transformações que acontecem nas cidades, qualquer pastor, com sua teologia bíblica e sua experiência mística, se sente tão anacrônico quanto um jumentinho puxando uma carroça em plena avenida.

Marcos Monteiro é o autor dessa idiossincrasia e acaba de lançar Um Jumentinho na Avenida — a missão da igreja e as cidades, pela Editora Ultimato. Mestre em filosofia e pastor itinerante no Nordeste brasileiro, Marcos Monteiro é, com a devida vênia, uma mistura de profeta e cantador.

O livro é divertido. Às vezes, trágico. Mas o autor aprendeu a rir de si mesmo. A rir de nós mesmos, das nossas gravatas em pleno sol a pino ou dos púlpitos que cheiram a mofo, de igrejas “globalizadas”, mas cultural e regionalmente irrelevantes. A igreja-carroça precisa responder a algumas perguntas. O que fazer com a avenida? Deveríamos voltar ao tempo em que os jumentos podiam caminhar tranquilamente pelas ruas? E a carroça, deveríamos motorizá-la?

As respostas não são fáceis. No entanto, é preciso aprender com o primeiro jumentinho ilustre, que andava muito bem acompanhado...

Fonte: Editora Ultimato.

sábado, 7 de agosto de 2010

'Deus voltou à agenda política com o 11 de setembro', diz Eagleton

Escritor britânico falou sobre teoria da fé em sua apresentação na Flip. Autor fez críticas aos colegas Richard Dawkins e Christopher Hitchens.


Luciano Trigo
Do G1, em Paraty, em 07/08/2010.

Depois das palavras duras dirigidas por Salman Rushdie a Terry Eagleton na noite de sexta-feira (6), a expectativa para a mesa, a primeira, deste sábado (7), "Andar com fé", aumentou. Chamado de desonesto e covarde pelo colega, Eagleton está acostumado a se envolver em controvérsias - as mais recentes foram com Richard Dawkins, sobre religão, e com o romancista Martin Amis, a quem acusou de preconceito contra os muçulmanos (sobrou até para o falecido Kingsley Amis, pai do escritor, a quem acusou de racista e homofóbico).

Mas, bem humorado e sereno, Eagleton manteve a elegância, reafirmando suas críticas a Dawkins e Christopher Hitchens, cuja visão da fé ele considera "ingênua e desinformada", e aos intelectuais liberais ingleses - grupo no qual inclui Rushdie - que confundem o Islamismo com o terrorismo extremista, alimentando o preconceito contra os muçulmanos.

Crítico literário dos mais importantes, Eagleton já foi classificado pelo Sunday Times, como "marxista, religioso, velho e punk". Aos 67 anos, ele tem mais de 40 livros e uma centena de artigos publicados sobre literatura, política, religião e basicamente qualquer assunto.

"Quando eu quero ler um livro, eu escrevo um. Acho invasivo bisbilhotar os livros dos outros", brincou, provocando risos na plateia. Atualmente Eagleton leciona em diversas universidades na Europa e nos Estados Unidos.

"A questão importante não é acreditar ou não em Deus, mas se perguntar por que Deus voltou à agenda política. Eu acredito que foi por causa dos atentados de 11 de setembro", diz o escritor. "Dawkins e Hitchens se comportam como um racionalista obsoleto do século 19, como se a fé fosse uma rival da teoria da evolução. Na verdade uma coisa não tem nada a ver com a outra. Todas as pessoas têm algum tipo de fé, mesmo que não seja religiosa", completou.

"Dawkins e Hitchens ignoram coisas básicas sobre a teologia, bem como as ricas tradições das diferentes religiões. Eles pensam que toda fé é cega, e que acreditar em Deus é como acreditar em alienígenas, o que é um equívoco primário".

Futebol, o ópio do povo?


A palestra foi cheia de momentos divertidos, como quando Eagleton, estando no Brasil, se desculpou por associar o futebol à ideia de "ópio do povo". Mas acabou insistindo na tese, ao afirmar que o esporte foi uma "conspiração das elites".

"A classe dominante se reuniu numa mesa para debater uma forma de manter as pessoas felizes quando não estivessem trabalhando. E o resultado foi essa invenção genial", explicou.

Outro momento inusitado foi quando atribuiu as frases longas de Marcel Proust à Comuna de Paris. "A mãe de Proust, como burguesa, temeu pela vida quando estava grávida, e a asma do escritor foi resultado dessa experiência intra-utrina. As frases longuíssimas de seus livros foram uma compensação in consciente para a falta de ar que ele sentia".

Sempre na moda

"Fala-se tanto em liberdade individual hoje, e no entanto o que domina não é, em absoluto o indivíduo humano, o indivíduo considerado em geral, é o indivíduo privilegiado por sua posição social, é por conseguinte a posição, a classe. Que se atreva um indivíduo inteligente da burguesia a levantar-se contra os privilégios econômicos desta classe respeitável, e veremos o quanto estes bons burgueses, que neste momento só tem na boca a liberdade individual, respeitarão a sua."


Miguel Bakunin (A educação integral, em Educação Libertária)


Postado por PriAliança no Mob de leitura.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Perfil de Três Reis

Capítulo IV

Saul fez o que todos os reis loucos fazem. Atirou lanças contra Davi. Podia fazê-lo. Ele era o rei. Os reis podem fazer coisas assim. Quase sempre as fazem. Os reis arrogam a si o direito de atirar lanças. Todo o mundo sabe que tais pessoas têm esse direito. Todo o mundo sabe muito bem disso. Mas, como sabem? Porque o rei lhes disse muitas, muitas vezes.

Será possível que esse rei louco fosse o verdadeiro rei, o ungido do Senhor?

E o rei do leitor? É ele o ungido do Senhor? Talvez seja. Talvez não. Só Deus sabe.

Se o seu rei é verdadeiramente o ungido do Senhor e se ele também arremessa lanças, então há algumas coisas que você pode saber, e saber com segurança:

O seu rei está completamente louco.

É um rei segundo a ordem do rei Saul.

(página 23)
Perfil de Três Reis
Autor: GENE EDWARDS
Editora: Editora Vida
Ano: 2004
Edição: 15ª
Número de páginas: 108
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

Meditatio - 3 Casa - Meditações sobre a Família


Festa de Casamento

Um casamento não é mera formalidade social. Ele tem um significado bem mais profundo. Primeiro, porque duas pessoas querem fazer votos, promessas e assumir compromissos um com o outro diante de Deus, dos pais, parentes e amigos. Segundo, porque eles também desejam receber a bênção de Deus sobre sua união. Trata-se de um momento de alegria, de encontro, de comida, bebida, bolo, danças. Surgem, então, emoções do fundo da alma, emoções muitas vezes reprimidas pelas agruras do cotidiano.
(página 101)
MEDITATIO
Autor: Osmar Ludovico
Editora: Mundo Cristão
Páginas: 208
Categoria: Espiritualidade
Ano: 2007

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Meditatio - 2 Caminhada - Meditações sobre a Vida Cristã (2)


Santidade

A ilusão religiosa nos leva a pensar que, se não confessarmos nossos pecados, Deus não ficará sabendo. Isso cria um tipo de esquizofrenia espiritual, uma vida dupla na qual a agenda paralela e secreta de pecado convive com cerimônias, discursos e práticas religiosas. O fariseu é alguém que conhece as Escrituras, mas vive atrás dessa fachada religiosa, resistindo à transformação mais profunda do caráter.

(...)

Confundimos santidade com moralismo. A moral está relacionada com princípios socialmente aceitos. Santidade não é uma moral da boa conduta; é a própria presença do Espírito Santo infundindo em nós o caráter de Cristo, que é amoroso, alegre, pacífico, longânimo, benigno, bondoso, fiel, manso e sereno.

Outras vezes confundimos santidade com legalismo. O legalismo está relacionado com as proibições e conseqüentes punições aos infratores. O fruto do Espírito é diferente. Não se baseia em proibições, mas no potencial humano, amparado por Deus, de fazer o bem e resistir ao mal.

(...)

O santo, portanto, não é aquele que não peca, mas o que sabe reconhecer e admitir que é pecador e encontra, na cruz de Cristo, o perdão de Deus. Só quem chora aos pés da cruz por sua miserável natureza caída pode experimentar a alegria do perdão e do acolhimento de Deus.

(...)

A verdadeira santidade reside no gesto simples do cotidiano, e não no discurso ou na produção religiosa.
(página 75 e 76)
MEDITATIO
Autor: Osmar Ludovico
Editora: Mundo Cristão
Páginas: 208
Categoria: Espiritualidade
Ano: 2007

Leia também: Meditatio - 1 Comunhão - Meditações sobre a Devoção e Meditatio - 2 Caminhada - Meditações sobre a Vida Cristã (1)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Meditatio - 2 Caminhada - Meditações sobre a Vida Cristã (1)


Conversão Radical

Em outubro de 312, às portas de Roma, Constantino vence seus adversários e assume o poder do Império Romano. Ele atribui sua inesperada vitória ao Deus dos cristãos, pois tivera um sonho no qual recebeu instrução para colocar o monograma de Cristo no uniforme dos soldados.

A igreja deixa de ser perseguida e o cristianismo se torna religião oficial do estado. Sai das catacumbas e vai para os palácios. (...)

A História da Igreja pode ser contada, portanto, sob duas perspectivas. Uma focaliza a história da Igreja do poder, das conquistas, dos papados, das cruzadas, da inquisição; a outra, a história dos santos, profetas e mártires.

Estamos vivendo um momento parecido com o da Igreja do século IV. Há cerca de 170 anos, época dos primeiros missionários, éramos uma igreja minoritária e perseguida, mas que se transformou em religião de massas. Para os novos convertidos, nessa igreja massificada a autêntica vivência cristã é praticamente impossível.

A conversão, que no passado era ato cheio de riscos e implicava entrega completa aos cuidados de Deus, tornou-se simplesmente adesão ao grupo dominante.


(página 61)
MEDITATIO
Autor: Osmar Ludovico
Editora: Mundo Cristão
Páginas: 208
Categoria: Espiritualidade
Ano: 2007


Leia também: Meditatio - 1 Comunhão - Meditações sobre a Devoção

terça-feira, 26 de maio de 2009

Meditatio - 1 Comunhão - Meditações sobre a Devoção


Vida e espiritualidade

"Deus não cabe em regras, técnicas, teologias rígidas, pacotes, tradições, experiências, ideologias, fórmulas, pragmatismos, planos doutrinações. O mistério de Deus não cabe em esquemas humanos. segui-lo significa não se adiantar a ele, mas ser conduzido serenamente por onde se desconhece, ser surpreendido pelo caminho que se abre. O mundo das certezas é incompatível com o mistério de Deus, que se revela no íntimo da alma humana em uma relação de amor.

(...)

A verdadeira espiritualidade reside na santidade do gesto simples do cotidiano. Em Jesus Cristo não há megalomania, grandiloqüência ou extravagância, mas a simplicidade do gesto humano, ternura e firmeza. Ouso afirmar que a verdadeira vida cristã significa sermos menos espirituais e mais humanos."
(página 43)
MEDITATIO
Autor: Osmar Ludovico
Editora: Mundo Cristão
Páginas: 208
Categoria: Espiritualidade
Ano: 2007

terça-feira, 19 de maio de 2009

Os evangélicos


Este não é um livro especificamente para o público evangélico. É um livro para todos aqueles que queiram conhecer mais sobre a História da religiosidade do povo brasileiro como manifestação cultural, seja apreendida de fora, dos missionários europeus e norte-americanos, ou expressão de uma determinada região. É didático, portanto, de fácil entendimento.

Resultado de pesquisas da socióloga Clara Mafra, versa sobre a história dos evangélicos no Brasil desde a chegada do missionário presbiteriano Ashbel Green Simonton, em 1859 no Rio de Janeiro, passando pelos pentecostais da primeira onda, a fundação da Congregação Cristã (1910) e a Assembléia de Deus (1911), e pela segunda onda do pentecostalismo com a fundação da Igreja do Evangelho Quadrangular (1953), O Brasil para Cristo (1955), até desembocar na terceira onda com as igrejas neopentecostais puxadas pela Igreja Universal do Reino de Deus (1977) do bispo Edir Macedo.

Segue abaixo um trecho da Introdução:

“Bíblia, crente, acatólico, bode, protestante, histórico, missionário, povo avivado, pentecostal, neopentecostal, missa-seca, pentecostal autônomo, renovado, escolhido de Deus, evangélico progressista.

Boa parte da literatura sobre os ‘evangélicos’ no Brasil se detém sobre a questão que a lista anterior levanta: como classificar a diversidade de seguidores de uma religiosidade cuja origem remonta à Reforma – quais são os agrupamentos, sua origem, suas tendências, seus valores, sua legitimidade social, os segmentos que devem ser excluídos, sua atuação política. Os desacordos são muitos, entre quem classifica, entre quem é nomeado e entre uns e outros, num campo saturado de mal-entendidos e desacordos. Mas se os critérios de classificação são muitos e ensejam uma disputa nominativa interminável, podemos nos apegar à história, onde, ao menos nos últimos anos, dada a visibilidade pública que esse segmento religioso ganhou na opinião pública, se forjou um certo consenso referendando o termo ‘evangélico’ como categoria abrangente.” (página 7)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ganhei! Fui sorteado...


Vejam qual foi a minha surpresa ao acessar meu email:

Olá galera, Se vc estiver recebendo este e-mail, significa que vc foi sorteado na promoção do Mob de leitura referente ao mês de abril.

Veja a lista dos sorteados e seus prêmios no Pavablog

http://pavablog.blogspot.com/2009/05/livros-so-mudam-pessoas-28.html

Responda este e-mail com o seu nome e endereço completo para lhe enviarmos via correio seu livro ou assinatura da revista Ultimato.

Meu prêmio foi a assinatura de um ano da Revista Ultimato.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Lançamento póstumo

Último livro do autor de 'O Senhor dos Anéis' pode decepcionar, diz filho de Tolkien

Publicada em 05/05/2009
EFE


LONDRES - O último livro escrito por J.R.R. Tolkien, um poema narrativo de 500 estrofes intitulado "The legend of Sigurd and Gudrun", pode decepcionar os seguidores do autor de "O Senhor dos Anéis". Foi o que disse através de um fax o filho do escritor, Christopher, ao responder perguntas do jornal "The Guardian". Christopher reconhece que os aficionados nas obras de seu pai podem não se adaptar ao formato do novo livro. Mas ele também acredita que esta sensação pode ser vencida pela curiosidade de conhecer o outro lado de Tolkien.

"Eu me atreveria a dizer que uma boa quantidade de leitores podem cansar com a leitura de uma longa narração, feita através de poemas em verso, e não seguir adiante", dise Christopher.

Lançada nesta terça-feira, a obra é inspirada na Edda poética, uma série de poemas da era medieval, que narra a vida de Sigfrido e Volsungo, a queda dos Nibelungos e o resgate de Brunilda, que estava presa. Christopher finalizou o livro que o pai tentava acabar de escrever quando faleceu, em 1973.

Christopher Tolkien, que nos últimos 36 anos vem se dedicando a editar e publicar a obra de seu pai (desejo dele antes de seu falecimento) explica que Tolkien deixou "um manuscrito, sem correções, que obviamente era uma cópia final". Assim, fez o mesmo com "Los hijos de Húrin" há dois anos. Deste livro, foram vendidas um milhão de cópias só em inglês. "El Silmarillion", una compilação póstuma de várias obras, também foi lançada por Christopher.

"Minha edição consiste basicamente em explicar e corrigir", diz Christopher, que, quando pequeno, recebia dinheiro por cada erro que encontrasse em "Hobbit".

Christopher Tolkien, de 84 anos, vive desde 1975 na França.

Fonte:
O Globo online

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Dica de Leitura: O Mundo do Antigo Testamento.

"A palavra arqueologia deriva de duas palvras gregas, archaios, que significa 'antigo', e logos, que significa 'palavra', 'assunto', 'relato', ou 'discurso'. Arqueologia significa, literalmente, 'relato (ou discurso) de assuntos antigos', e de quando em quando as pessoas usam-na para referir-se à história geral antiga. Comumente, porém, arqueologia aplica-se às fontes da história, desconhecidas até que as escavações as trouxeram à luz.

(...)

Os eruditos discordam quanto à propriedade do termo 'arqueologia bíblica'. Dizem alguns que arqueologia é arqueologia (...). Crêem que deveríamos empregar outro termo, como 'arqueologia palestina', ou então 'a arqueologia e a Bíblia'.

(...)

Os principais recursos, financeiros e de pessoal, dos projetos arqueológicos nas terras bíblicas nunca vieram de organizações ou instituições eclesiásticas. Vieram de universidades, museus ou de outras fontes privadas. (...) Não obstante, as igrejas e suas instituições deveriam procurar participar o quanto puderem.

Prova a arqueologia que 'a Bíblia é verdadeira'? Não exatamente. O que é verdadeiro é que a arqueologia tem aumentado nossa confiança nos amplos esboços do relato bíblico. As descobertas arqueológicas têm sustentado muitas declarações específicas encontradas no texto sagrado. Muitas vezes a arqueologia tem sido útil na refutação aos ataques dos céticos. Todavia, muita coisa da Bíblia tem que ver com questões relativamente particulares, pessoais, as quais a arqueologia não pode verificar. E quanto mais recuamos na história, tanto menos evidências encontramos." (p. 66 e 67)

O Mundo do Antigo Testamento
Autores: J.I. Packer, M.C. Tenney e W. White, Jr.
Editora Vida, 9ª impressão, 2004, 188 páginas.

Este livro desvenda os mistérios do mundo antigo, baseado no mais recente conhecimento arqueológico, histórico, linguístico e teológico.

segunda-feira, 30 de março de 2009

OS 10 LIVROS MAIS VENDIDOS (FICÇÃO)! APENAS UM BRASILEIRO!

Na pesquisa da Veja: os livros mais vendidos!

1) A Cabana - William Young - SEXTANTE - CANADENSE
2) Crepúsculo- Stephenie Meyer -INTRÍNSECA- AMERICANA
3) Lua Nova- Stephenie Meyer -INTRÍNSECA - AMERICANA
4) Eclipse- Stephenie Meyer - INTRÍNSECA- AMERICANA
5) O Vendedor de Sonhos- Augusto Cury- ACADEMIA DE INTELIGÊNCIA- BRASILEIRO
6) O Leitor- Bernhard Schlink- RECORD- ALEMÃO
7) O Menino do Pijama Listrado- John Boyne- COMPANHIA DAS LETRAS- ALEMÃO
8) A Menina que Roubava Livros- Markus Zusak- INTRÍNSECA- AUSTRALIANO
9) O Sári Vermelho- Javier Moro- PLANETA- ESPANHOL
10) Anjos e Demônios- Dan Brown- SEXTANTE- AMERICANO.

Fonte: Ex-Blog do César Maia, por email em 30/03/2009.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A Dualidade de Poderes e os 50 anos da Revolução Cubana

“A dualidade de poderes é uma condição peculiar a crises sociais, característica não exclusivamente da Revolução Russa de 1917.” (TROTSKY, L)


O século XX foi marcado por vários acontecimentos de rupturas da ordem vigente conhecidas como revoluções. Um desses movimentos completou 50 anos em 2009. Trata-se da Revolução Cubana, de 1959, que ecoa até hoje tendo em vista que seus ícones principais continuam vivos, como os irmãos Castro, Fidel e Raul, e o grande inimigo dos cubanos continuar sendo os Estados Unidos da América.

“O Estado é a forma na qual os indivíduos de uma classe dominante fazem valer seus interesses comuns” (MARX, K. & ENGELS, F). Se partirmos desta premissa, poderemos notar a questão da dualidade de poderes existente em Cuba em seu contexto revolucionário. Entendemos que não há nenhum conflito social sem que a questão da dualidade de poderes não esteja contida, pois, na oposição entre classes sociais, cujos interesses são antagônicos, reside o fundamento social da dualidade de poderes. “O caráter de um regime político é diretamente determinado pela relação das classes oprimidas com as classes dominantes” (TROTSKY, L). A definição do poder de Estado como uma “relação” entre as classes, dominados e dominantes, ou correlação de forças, é alterada por Trotsky de uma teoria “restrita” do Estado, defendida por Marx, Engels e Lênin, para uma teoria de Estado “ampliado”. Ele introduz uma teoria processual para conceber o movimento como um período pré-revolucionário, ou seja, para que aconteça a revolução a classe revolucionária pode ocupar parte do poder do Estado antes da transferência total.

O Estado cubano era governado por Fulgencio Batista, destituído do cargo, mas que voltara ao poder em 1952 mediante golpe de Estado, sob o aval e participação dos Estados Unidos da América na figura de seus embaixadores, Artur Gardner e Earl E.T. Smith, que não possuíam nenhuma experiência política ou diplomática. Os Estados Unidos forneciam a Batista vários armamentos, mas, ao mesmo tempo, financiava membros do M-26-7, movimento revolucionário cubano 26 de julho, com recursos entregues por meio de altos funcionários da CIA, com o objetivo de estabelecer contatos tanto com o governo quanto com a oposição, a fim de garantir os interesses norte-americanos na ilha. Prova desta correlação de forças – poder do Estado e poder revolucionário – foi a aquisição de armas, equipamentos de rádio, e do Granma, o iate que levou Fidel e seus guerrilheiros do México até Cuba, com recursos provenientes da CIA, via Prío Sacarras, ex-presidente de Cuba. São fatos importantes que vão estruturar o movimento revolucionário através da guerrilha na região de Sierra Maestra, da criação da Rádio Rebelde durante este período pré-revolucionário, segundo as definições de Trotsky. Porém, ao cooperar com o governo Batista fundando o BRAC (Buró de Represión a las Actividades Comunistas), responsável pela tortura de presos políticos ou suspeitos de atividades revolucionárias, fomentou o sentimento de antiamericanismo nos revolucionários por criarem uma identificação com o governo em vigor.

Para acabar com esta correlação de forças, cogitou-se pelo governo de Washington a criação de uma “terceira força”, formada por grupos de oposição ao governo Batista e que servisse de contraponto a Fidel Castro. Por meio de eleições fraudulenta, o candidato da situação saiu vitorioso. Entretanto, Smith concluindo que Batista não cumprira com o compromisso de assegurar eleições livres e abertas, declarou Castro vencedor.

Com a intensificação dos ataques das colunas guerrilheiras e com a decomposição do exército de Batista, Fidel Castro, principal líder de oposição, partiu para o “choque frontal” tomando de assalto Santiago, capital da Província de Oriente, em 1958, e ordenou a Che Guevara e Camilo Cienfuegos que com suas colunas seguissem para Havana e ocupassem o Campo Colúmbia e a fortaleza de La Cabaña, provocando a renúncia de
Batista, já sem o respaldo dos Estados Unidos, no reveillon de 1959. A “explosão revolucionária” foi rápida, pois “a insurreição, violenta por si mesma, realiza-se habitualmente num curto espaço de tempo” (TROTSKY, L). Com o lema “Revolución Sí, Golpe Militar No!”, Fidel Castro proclamou Manuel Urrutia, juiz da Província de Oriente, presidente provisório de Cuba, investido em nome do poder revolucionário, antes de assumir o comando da nação.

* Citações feitas por C.N. Coutinho no livro A Dualidade de Poderes – introdução à teoria marxista de estado e revolução. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1985.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sem Perder a Alma - Crônicas de Ricardo Gondim


Em Sem perder a alma, o escritor declama seu amor pelas página impressas, inspirando os leitores a buscar essa paixão celestialmente arrebatadora. “O livro faz parte da conspiração divina. Quando Deus quis falar aos homens, apenas inspirou homens que escrevessem.”

Para não asfixiar a alma, senti a necessidade de achar respiradouros onde pudesse renovar meu ser..."
(Trecho da crônica Sem perder a alma)

Fonte: MKshopping.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Gilberto Freyre rejeitou idéias racistas em ensaio de interpretação do Brasil

da Folha Online

Ao lançar "Casa-Grande & Senzala", seu clássico ensaio de interpretação do Brasil, em 1933, Gilberto Freyre (1900-87) abriu o confronto com as teorias racistas de intérpretes consagrados do país. As idéias de valorização do negro e da cultura afro-brasileira defendidas no livro chocavam-se com as concepções raciais e os determinismos climáticos adotados por Sílvio Romero, Euclides da Cunha, Oliveira Viana e outros intelectuais da época.

A informação é do livro "Folha Explica - Casa-Grande e Senzala", da Publifolha. O volume, assinado por Roberto Ventura, professor de teoria literária, abre caminhos para a leitura do ensaio Casa-Grande & Senzala, além de abordar a trajetória controversa de Freyre.

Leia abaixo trecho de "Folha Explica - Casa-Grande e Senzala".

*

A GUERRA DAS RAÇAS

(...)


Casa-Grande & Senzala teve o impacto de um manifesto cultural e político por sua contundente crítica ao racismo e pelo enfoque inovador da escravidão, da monocultura e do latifúndio, sob a ótica da cultura e da economia. Formulava, já no prefácio, sua ruptura com as teorias racistas e relatava sua conversão quase mística à abordagem culturalista, ensinada por Franz Boas no departamento de antropologia de Columbia. O jovem Freyre transformava o anti-racismo de Boas em profissão de fé, que iria substituir seu protestantismo dos tempos de aluno do Colégio Americano Gilreath no Recife ou de pregador batista nos bairros pobres da cidade, e ainda enquanto estudante com bolsa de estudos da Igreja protestante na Universidade de Baylor, em Waco, Texas.

Conta assim, no prefácio de Casa-Grande & Senzala, a profunda impressão que lhe causaram os ensinamentos do mestre Boas:

- Foi o estudo de Antropologia sob a orientação do Professor Boas que primeiro me revelou o negro e o mulato no seu justo valor - separados dos traços de raça os efeitos do ambiente ou da experiência cultural. Aprendi a considerar fundamental a diferença entre raça e cultura; a discriminar entre os efeitos de relações puramente genéticas e os de influências sociais, de herança cultural e de meio. Neste critério de diferenciação fundamental entre raça e cultura assenta todo o plano deste ensaio.

(...)

O passado escravocrata brasileiro deixara como saldo a pesada herança da monocultura e do latifúndio, responsáveis pelas deficiências alimentares da subnutrida população nacional. Freyre propôs portanto a superação da idéia de raça e a sua substituição por um enfoque centrado na economia e na cultura, no que se aproximava de antropólogos brasileiros, como Artur Ramos e Roquete-Pinto, e de escritores latino-americanos, como o cubano Fernando Ortiz, o mexicano José Vasconcelos e os peruanos José Carlos Mariátegui e José Maria Arguedas.

Manteve porém, em uma das muitas contradições de seu pensamento, um viés evolucionista, ao tomar a raça como sinônimo de caráter e cultura e acreditar na existência de povos mais ou menos adiantados, o que entrava em contradição com a pretendida superação dos modelos biológicos e raciais. Afirmou a existência de culturas superiores, como os africanos maometanos trazidos da África, adeptos de uma religião monoteísta, cuja presença na colônia portuguesa teve uma função civilizadora. Proclamou a superioridade técnica do negro sobre o indígena e até sobre o branco no que se refere ao trabalho de metais, à criação de gado, à alimentação e à culinária.

Essa mistura peculiar de culturalismo e evolucionismo se explica, em parte, pela admiração que tinha, na juventude, por autores positivistas, como o francês Hippolyte Taine, para quem a história era determinada por meio, raça e momento, o filósofo Auguste Comte, que pregava a existência de fases lineares do desenvolvimento humano e social, e sobretudo o inglês Herbert Spencer, que concebia o homem e a sociedade como regidos pelo princípio da evolução, que caminharia sempre do simples para o complexo, do homogêneo para o heterogêneo. Bebendo nas mesmas fontes de intérpretes do Brasil como Sílvio Romero e Euclides da Cunha, cujas idéias racistas iria rejeitar, Freyre deu aos 16 anos sua primeira conferência, em Paraíba (atual João Pessoa), sobre "Spencer e o Problema da Educação no Brasil".

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sexta-feira, 6 de março de 2009

Códex Arquimedes

Eureka! O século XXI descobre Arquimedes

Manuscrito inédito do gênio da matemática que viveu na antiguidade revela um cientista muito mais criativo do que se imaginava - ele esboçou até a base da linguagem dos computadores

Natália Rangel

Uma década após ser arrematado num leilão em Nova York por US$ 2 Milhões, um precioso manuscrito redigido pelo matemático grego Arquimedes (287 a.C. - 212 a.C.) que permanecera oculto por mais de mil anos foi finalmente decifrado e divulgado por uma equipe de pesquisadores do Museu de Arte Walters, nos EUA, onde o documento está depositado. O livro Códex Arquimedes (Record, 322 págs., R$ 49), escrito pelo historiador Reviel Netz em parceria com o curador William Noel, revela um cientista cuja genialidade ultrapassa a do lendário personagem que salta da banheira exclamando Eureka! ao descobrir o princípio da hidrostática.
Não que sua descoberta mais famosa, que entrou para a história com o seu nome, não tenha sido importante. O livro prova, no entanto, que Arquimedes transitou por muitas outras áreas e deduziu fórmulas e princípios científicos que são aplicados nos dias de hoje. Entre essas antevisões está a própria linguagem que permitiu a criação e o desenvolvimento dos computadores. Os autores sugerem, inclusive, que a tradição científica ocidental poderia ter tomado outro rumo se os insights matemáticos de Arquimedes sobre conceitos como o infinito e a probabilidade não tivessem vindo à tona apenas agora.
Ele foi uma grande influência para cientistas como Galileu Galilei e Isaac Newton, e esboçou teorias que seriam formuladas definitivamente por eles séculos depois. Entre as curiosidades desvendadas no palimpseto (pergaminho reutilizado) estão observações críticas acerca do pensamento do filósofo grego Aristóteles. Seriam esses os mais antigos comentários expressos sobre o seu trabalho - ele viveu um século antes de Arquimedes, entre os anos 384 a.C. e 322 a.C. "Encontrar comentários sobre as categorias filosóficas formuladas por Aristóteles no século III é fantástico", diz Noel.

Além de relatar todas essas descobertas, o livro refaz com riqueza de detalhes e um fascinante ritmo narrativo o longo e acidentado trajeto percorrido pelo palimpseto. Ele chegou a ser totalmente apagado e depois foi novamente utilizado em Jerusalém no século XIII por um escriba cristão chamado John Myronas.
O conteúdo, de difícil leitura, se perdeu por muitas bibliotecas, sobreviveu a guerras, incêndios e saques - e todas essas passagens são relatadas com riqueza de informações históricas e mistério, o que remete o leitor às aventuras de um arqueólogo fictício no estilo de Indiana Jones. Mas, nesse caso, não há ficção, os autores reconstituem fatos reais e, enquanto narram a história do próprio livro, jogam luz sobre a evolução da ciência nesse mesmo período. O último endereço do palimpseto de Arquimedes foi a biblioteca de Copenhague, na Dinamarca. No dia 16 de julho de 1907, o jornal The New York Times estampa a manchete: "Professor dinamarquês descobre novo manuscrito de Arquimedes."

Em estado lamentável, com diversas páginas destruídas pelo mofo e pelas traças, o valioso documento se perde novamente no período entre guerras. Seria encontrado em Paris e então enviado à casa de leilões Christie's de Nova York. E de lá para o laboratório de especialistas em imagens, onde foi submetido a um trabalho de recuperação de oito anos. Ao restaurar esse Códex de Arquimedes, os pesquisadores finalmente conseguiram reunir e abarcar todo o pensamento do matemático de Siracusa. E talvez esse seja o principal motivo de comemoração: "O pergaminho reproduz o cérebro de Arquimedes", diz Noel.

Decifrá-lo só foi possível devido a uma sofisticada técnica de leitura que permite identificar traços mais finos que a oitava parte de um fio de cabelo. Alguns tratados, como O método dos teoremas mecânicos, só existem, na íntegra e no original, em grego, nesse livro que agora pode ser lido e está disponível para consultas no museu americano. Que, com orgulho, apelidou-o de "a oitava maravilha do mundo".
Fonte: IstoÉ.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Teologia velha e nova

Augustus Nicodemus, colunista da Seu Mundo online, confronta teólogos e pastores que acreditam que teologia boa é só aquela que está sendo feita agora

Por: Augustus Nicodemus, em 12/02/2009.


Tenho sempre me deparado com pastores e teólogos que acreditam que teologia boa é só aquela que está sendo feita agora. Recentemente encontrei mais um desses. Chamou-me de fundamentalista porque eu acredito que existe teologia certa e teologia errada, e porque incluo na primeira categoria os antigos credos cristãos e as confissões reformadas. Ensinou-me com aquela pachorra típica de quem é iluminado e se depara com um pobre fundamentalista obscurantista e tapado, que "a teologia é apenas um construto humano, limitado, provisório, subjetivo, que tem que ser feito por cada geração, pois não atende mais as necessidades da próxima".

Era óbvio que eu estava diante, mais uma vez, daquela cena hilária em que o relativista declara com toda autoridade e convicção que "não existe verdade absoluta, tudo é relativo".

Vamos supor, ainda que por um momento, que esses teólogos - nem sei em que categoria enquadrá-los, pois nem liberais eles são (os liberais de verdade acreditavam em certo e errado) - estejam certos. Que cada geração entende Deus, a Bíblia e as grandes verdades do Cristianismo de uma maneira totalmente diferente de outra geração e de pessoas de outra cultura, a ponto de não podermos adotar as suas reflexões teológicas como verdadeiras e válidas para a nossa geração.

Se levada às últimas conseqüências, essa perspectiva sobre a teologia criaria uma série de problemas, inclusive para os que a defendem. A começar pelo fato que cada nova geração teria de definir, de novo, o que é o Cristianismo. Explico. O Cristianismo, enquanto religião, foi definido e os seus limites estabelecidos durante os primeiros séculos depois de Cristo, quando os primeiros cristãos foram confrontados com explicações diferentes, contraditórias e alternativas da mensagem de Jesus e dos apóstolos, como o montanismo, as idéias de Marcião, os gnósticos, os docetistas e os ebionitas, para mencionar alguns.

Os grandes credos ecumênicos da Cristandade estabelecidos nas gerações posteriores nos deram de forma sintetizada a doutrina de Cristo, da Trindade, entre outras, as quais o Cristianismo histórico adota até hoje. A seguir o que esse pastor estava me dizendo, teríamos de jogar tudo isso fora e recomeçar, refazer, redefinir o Cristianismo a partir da nossa própria situação.

A segunda dificuldade é que essa perspectiva acaba pegando mal para seus próprios defensores. Pergunto: o que eles têm descoberto e oferecido mais recentemente que seja novo acerca do ser e das obras de Deus, da pessoa de Cristo e de sua morte e ressurreição? Quando não caem nas antigas heresias, repetem simplesmente o que já foi dito por outros em tempos passados. A "nova perspectiva sobre Paulo" não deixa de ser uma antiga perspectiva sobre o judaísmo. A nova "busca do Jesus histórico" não tem conseguido oferecer nenhuma reconstrução do Jesus da história que esteja em harmonia com o quadro dele que temos nos evangelhos. A teologia relacional não consegue ir adiante do Deus sociniano, que também desconhecia o futuro.

A terceira dificuldade é que essa perspectiva realmente acaba com a distinção entre teologia certa e teologia errada e anistia todas as heresias já surgidas na história da Igreja. Vamos tomar, por exemplo, a área de soteriologia, que trata da questão da salvação do homem. A doutrina de que o homem é justificado pela fé somente, sem as obras ou méritos humanos, foi estabelecida cedo na Igreja cristã e reafirmada na Reforma protestante. Depois de tantos séculos, nossos teólogos progressistas (ainda não gosto desse rótulo, vou acabar achando outro) têm algo de novo para nos dizer sobre esse ponto? Os que tentaram, caíram nas antigas heresias soteriológicas já discutidas e refutadas ad nauseam pelos Pais da Igreja e pelos Reformadores.

Não me entendam mal. Eu também acredito que a teologia é um construto humano, e como tal, imperfeito, incompleto e certamente relativo. Estou longe de adotar para com a teologia reformada uma postura similar àquela que considera a tradição aristotélica-tomista como a filosofia e/ou teologia "perene". Eu também considero que a teologia é fruto da reflexão humana e, portanto, sempre sujeita às vulnerabilidades de nossa natureza humana decaída. Mas não ao ponto de não poder refletir com uma medida de veracidade e fidelidade a revelação de Deus nas Escrituras. O problema com essa postura relativista é que ela desistiu completamente da verdade. É agnóstica. Eu creio que a teologia, se feita "levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo" (2Co 10.5), se for fiel à revelação bíblica, produzirá sínteses confiáveis que podem servir de referencial para as igrejas de todas as gerações, conforme, aliás, as confissões reformadas elaboradas nos sec. XVI e XVII vêm fazendo há alguns séculos.

Mas, os teólogos relativistas acreditam em que? Em tudo e, portanto, em nada. Eles tentam manter tudo fluido, em permanente devir, sempre abertos para todas as possibilidades. Mas, nesse caso, não teriam que, forçados pela própria lógica, de aceitar também a teologia conservadora como uma teologia legítima? Mas é aqui que a lógica relativista se quebra. Pois para eles, todas as opiniões estão corretas - menos aquela dos conservadores.

Um amigo meu que é teólogo me disse outro dia numa conversa, "a verdade é absoluta, mas minha percepção dela é sempre relativa". Até hoje estou intrigado com essa declaração. Eu o conheço o suficiente para saber que ele não é relativista. Sou obrigado a reconhecer, por força do conhecimento da minha própria limitação e subjetividade, que ele está certo quanto à relatividade da nossa percepção teológica. Mas, por outro lado, reluto em aceitar as conseqüências plenas dessa declaração. Primeiro, como podemos falar de verdade absoluta, se é que sempre temos uma percepção relativa dela? Se existe verdade absoluta, não seria teoricamente possível conhecê-la como tal? Segundo, porque embora pareça humildade, admitir o caráter sempre relativo da nossa percepção implica em admitir que ninguém tem a verdade, o que acaba com a possibilidade do certo e do errado, do verdadeiro e do falso como conceitos públicos, transformando cada indivíduo, ao final, no referencial último dessas coisas. Será que não poderíamos dizer que nós, mesmo enviesados por nossos pressupostos e preconceitos (horizontes), ainda somos capazes, em virtude na nossa humanidade básica compartilhada com as pessoas de todas as épocas - para não mencionar a graça comum e a ação do Espírito Santo -, de perceber a verdade da mesma forma que outras pessoas a perceberam em outros tempos e em outros lugares?

Aqui as palavras de Anthony Thiselton são pertinentes:

"O que será da ética cristã se adotarmos uma perspectiva relativista da natureza humana? Se a experiência da dor, do sofrimento e da cura no mundo antigo não tem qualquer continuidade com qualquer conceito moderno, o que poderemos dizer acerca do amor, auto-sacrifício, santidade, fé, pecado, rebelião, etc.? Ninguém num departamento de línguas clássicas, literatura ou filosofia de uma universidade aceitaria as implicações de um relativismo tão radical. Nada poderíamos aprender sobre a vida, o pensamento, ou ética, dos escritores que viveram em culturas antigas. Com certeza, nenhum estudioso, se pressionado com essas implicações, defenderia até o fim esse tipo de relativismo."

Uma última dificuldade que desejo mencionar é que essa visão, se levada às últimas conseqüências, acaba nos privando da Bíblia. Vejamos. Quem defende essa visão (há exceções, eu sei) geralmente tem dificuldades em aceitar que as Escrituras do Antigo Testamento e Novo Testamento foram dadas por inspiração divina e são, portanto, infalíveis. Nessa lógica, as Escrituras são apenas a reflexão teológica de Israel e da Igreja cristã primitiva. Consideremos as cartas de Paulo. Elas são a teologia do apóstolo, resultado da aplicação que ele fazia das boas novas às situações novas das igrejas nascentes no mundo helênico. Para ser coerente, quem defende que toda teologia é relativa, imperfeita e subjetiva, e que é válida somente dentro dos limites da cultura e da geração em que foi produzida, não poderia aceitar para hoje a teologia de Paulo, a de Pedro, a de João, a de Isaías. Teria de rejeitar as Escrituras como um todo, pois elas são a teologia de Israel e da Igreja, elaboradas em uma época e em uma cultura completamente diferente da nossa.

Para dizer a verdade, há quem faça isso mesmo. Os antigos liberais faziam. Para eles, a Bíblia nada mais era que a teologia (ultrapassada) dos seus autores. O Cristianismo se reduzia a valores éticos e morais, que eram as únicas coisas permanentes nesse mundo. Eu admiro e respeito os antigos liberais. Os de hoje, precisariam assumir o discurso relativista e levá-lo às últimas conseqüências. Pode ser que não conseguiriam absolutamente nada com isso, como acho que não vão conseguir. Mas, pelo menos, teriam o meu respeito - se é que isso vale alguma coisa.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Como encontrar o caminho (do SIM) na Terra do NÃO?

Persista na busca do que é importante.

Enfrente o desconforto e resista a ele; a luta é parte da busca.

Repense sua estratégia quando você encontrar um NÃO.

Seja determinado em relação a seus valores e ética.

Espere o sucesso, sempre visualizando como ele será.

Vença divulgando suas intenções e mantendo seus compromissos.

Expresse gratidão pelo apoio dos outros.

Risco é essencial para encontrar o SIM; seja corajoso.

E aproveite e comemore cada pequeno progresso que o faz aproximar-se do SIM.



Fonte: GALLAGHER, B.J. & VENTURA, Steve. Sim na Terra do Não. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006, p. 143.