As Crônicas de Gelo e Fogo

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ehh... do... SÃO PAAAULOOO!!!

14/04/10 - GloboEsporte.com

CBF bate o martelo: Taça das Bolinhas será entregue ao São Paulo
Segundo entidade, Tricolor Paulista é o primeiro pentacampeão brasileiro


Thiago Lavinas
Rio de Janeiro


Taça das Bolinhas será restaurada antes de ser entregue ao São Paulo

A CBF divulgou na tarde desta quarta-feira que o São Paulo é o primeiro clube pentacampeão brasileiro e, por isso, o que levará a chamada "Taça das Bolinhas". O departamento jurídico da entidade entregou o parecer ao presidente Ricardo Teixeira, que o encaminhou à Federação Paulista de Futebol.

A dúvida sobre a entrega do troféu existia por causa da polêmica sobre a competição de 1987, onde o Sport foi considerado campeão pela CBF na época. O Flamengo, campeão da Copa União, organizada pelas agremiações fundadoras do Clube dos 13, reivindicava o título da temporada.

Entenda o caso:

Blog de Gustavo Poli: 1987, o campeonato sem fim

A "Taça das Bolinhas" está em processo final de restauração e será entregue nos próximos dias ao São Paulo, que foi campeão brasileiro pela quinta vez em 2007 (antes, conquistou as edições de 1977, 1986, 1991 e 2006; depois, o hexa em 2008). Em solenidade na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro no último dia 31 de março, Teixeira confirmou que um estudo estaria sendo feito para dar um ponto final a essa polêmica.

A taça seria dada em definitivo ao clube que conquistasse o Campeonato Brasileiro três vezes consecutivas - ou cinco alternadas. Em 1987, o Flamengo foi campeão do módulo verde da Copa União (equivalente à Série A), e o Sport venceu o módulo amarelo (equivalente à Série B) . O regulamento previa cruzamento entre os dois primeiros colocados de cada torneio, mas Flamengo e Inter (o vice-campeão do módulo verde) se recusaram a disputar o quadrangular com Sport e Guarani. A CBF declarou o time do Recife campeão, decisão que foi confirmada em maio de 1994 em uma sentença do Tribunal Regional Federal. Com a confirmação, segundo a entidade, o Sport é o campeão brasileiro de 1987, e o Flamengo, campeão por cinco vezes, nas edições de 1980, 1982, 1983, 1992 e 2009.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Vaticano perdoa os Beatles por mensagens satânicas

Seg, 12 Abr, Yahoo! Notícias.

RIO - Em um momento em que a igreja Católica passa por uma grave crise, o Vaticano publicou, em seu jornal oficial, uma declaração sobre os Beatles, elogiando sua música e desconsiderando os anos de uso de drogas e outros excessos de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, o L'Osservatore Romano afirma em sua primeira página que a banda "achava que era maior que Jesus e divulgou mensagens misteriosas, possivelmente satânicas", mas também pergunta: "O que seria da música pop sem os Beatles?"

O artigo chegou quatro décadas depois de John Lennon desafiar a igreja Católica dizendo que os Beatles eram "mais populares que Jesus" e sugerindo que o cristianismo estava morrendo como instituição.

O jornal ofereceu seu perdão por essas palavras em um artigo de 2008, quando atribuiu os comentários de Lennon ao "exibicionismo de um jovem músico inglês que creceu sob o mito de Elvis Presley e do rock and roll e que obteve um sucesso inesperado".

A publicação do artigo pode fazer parte de uma estratégia para tirar o foco dos crescentes casos de abuso sexual dentro da instituição. Na sua última edição, o L'Osservatore Romano falou sobre a polêmica, afirmando que o Papa tem apoio internacional.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Time de futebol com mais títulos

Faz tempo que não posto nada no blog. Vou tentar retomar aos poucos e para isso uma postagem em homenagem ao centenário do time das frangas: o CUrinthians.

Segundo estudos do centro estatístico da UFRJ, os times do Botafogo, Fluminense, Vasco, Grêmio, São Paulo, Palmeiras, Santos, Real Madrid, Barcelona, Milan, Boca Juniors, Flamengo, e muitos outros considerados grandes... levariam juntos cerca de 100 anos para chegar ao número de títulos que tem o Corinthians em quantidade, conquistados e reconhecidos pelas entidades competentes.

Qualquer dúvida, os dados estão disponíveis na Internet. É só pesquisar.

Somados até a última semana, o Corinthians possui:

* Títulos Nacionais: 4
* Títulos Paulistas: 25

E os mais importantes:

* Títulos protestados no Tribunal Regional do Trabalho: 5.244
* Títulos protestados na Justiça Civil: 922
* Títulos protestados na Justiça Federal: 735
* Títulos protestados nos Cartórios de Títulos e Documentos: 14.643

Totalizando, são muito mais de 21.000 títulos, ou seja, os outros clubes não passam nem perto...

Fonte: Centro de Estudos Estatístico da UFRJ

Saudações do HexaTricolor Paulista!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Texto da resolução da OEA que revoga a suspensão a Cuba

Ele foi aprovado por aclamação nesta quarta-feira (3) em Honduras.
Agora, cabe à ilha, afastada desde 1962, decidir se volta ao organismo.

"A Assembleia Geral:

Reconhecendo o interesse partilhado na plena participação de todos os Estados-membros;


Guiada pelos propósitos e princípios estabelecidos da Organização dos Estados Americanos contidos na Carta da organização e em seus demais instrumentos fundamentais relacionados à segurança, à democracia, à autodeterminação, à não-intervenção, aos direitos humanos e ao desenvolvimento;

Considerando a abertura que caracterizou o diálogo dos chefes de Estado e de Governo na 5ª Cúpula das Américas, em Port of Spain, e que, com esse mesmo espírito, os Estados-membros desejam estabelecer um marco amplo e revitalizado de cooperação nas relações hemisféricas; e


Tendo presente que, em conformidade com o artigo 54 da Carta da Organização dos Estados Americanos, a Assembleia Geral é o órgão supremo da Organização,

Resolve:
1. Que a resolução VI adotada em 31 de janeiro de 1962 na 8ª reunião de consulta de ministros das Relações Exteriores, mediante a qual se excluiu o Governo de Cuba de sua participação no Sistema Interamericano, fica sem efeito na Organização dos Estados Americanos.

2. Que a participação de Cuba na OEA será o resultado de um processo de diálogo iniciado por solicitação do Governo de Cuba e em conformidade com as práticas, os propósitos e princípios da OEA."


Fonte: G1.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Os evangélicos


Este não é um livro especificamente para o público evangélico. É um livro para todos aqueles que queiram conhecer mais sobre a História da religiosidade do povo brasileiro como manifestação cultural, seja apreendida de fora, dos missionários europeus e norte-americanos, ou expressão de uma determinada região. É didático, portanto, de fácil entendimento.

Resultado de pesquisas da socióloga Clara Mafra, versa sobre a história dos evangélicos no Brasil desde a chegada do missionário presbiteriano Ashbel Green Simonton, em 1859 no Rio de Janeiro, passando pelos pentecostais da primeira onda, a fundação da Congregação Cristã (1910) e a Assembléia de Deus (1911), e pela segunda onda do pentecostalismo com a fundação da Igreja do Evangelho Quadrangular (1953), O Brasil para Cristo (1955), até desembocar na terceira onda com as igrejas neopentecostais puxadas pela Igreja Universal do Reino de Deus (1977) do bispo Edir Macedo.

Segue abaixo um trecho da Introdução:

“Bíblia, crente, acatólico, bode, protestante, histórico, missionário, povo avivado, pentecostal, neopentecostal, missa-seca, pentecostal autônomo, renovado, escolhido de Deus, evangélico progressista.

Boa parte da literatura sobre os ‘evangélicos’ no Brasil se detém sobre a questão que a lista anterior levanta: como classificar a diversidade de seguidores de uma religiosidade cuja origem remonta à Reforma – quais são os agrupamentos, sua origem, suas tendências, seus valores, sua legitimidade social, os segmentos que devem ser excluídos, sua atuação política. Os desacordos são muitos, entre quem classifica, entre quem é nomeado e entre uns e outros, num campo saturado de mal-entendidos e desacordos. Mas se os critérios de classificação são muitos e ensejam uma disputa nominativa interminável, podemos nos apegar à história, onde, ao menos nos últimos anos, dada a visibilidade pública que esse segmento religioso ganhou na opinião pública, se forjou um certo consenso referendando o termo ‘evangélico’ como categoria abrangente.” (página 7)

sábado, 16 de maio de 2009

Pesquisa sobre 'Jesus histórico' retrata Cristo mais humano, mas não ameaça fé - Parte 5

Verdadeiro homem, verdadeiro Deus

Levando tudo isso em consideração, a fé cristã pode sair abalada ao confrontar o Jesus histórico? Os especialistas apostam que esse risco é menor do que parece. “A pesquisa histórica ajuda a compreender a atividade de Jesus e a contextualizar a fé. Pode ameaçar alguns dogmas eclesiásticos, mas não a fé propriamente dita”, diz Voigt, que também é pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IELCB).

“Creio que o processo de formação das pessoas de fé cristã deve ajudar a perceber a riqueza que se encontra justamente no processo de interpretar os acontecimentos. Não podemos ler a Bíblia ao pé da letra. Como pessoas de fé, nossos antepassados vivenciaram processos muito criativos de leitura dos acontecimentos, atribuindo-lhes significados que, à primeira vista, não eram perceptíveis nem imagináveis. A Bíblia toda foi construída assim”, pondera o padre Léo Konzen.

“Apesar de ser a personificação do Divino, aqui na Terra Jesus era apenas um homem bruto, pobre, tão comum que dependia de muita oração e da ação do Espírito Santo para realizar seus feitos. Seria muito fácil se Ele morresse na cruz tendo a certeza de que era eterno. Mas era homem e, como homem, não tinha uma memória divina”, diz René Vasconcelos, estudante de teologia da Faesp (Faculdade Evangélica de São Paulo) e membro da denominação evangélica Assembléia de Deus.

Essa, aliás, é uma das pedras fundamentais da fé de quase todas as igrejas cristãs: Jesus é verdadeiro Deus, mas também é verdadeiro homem. A primeira parte da frase não pode ser comprovada ou refutada pela pesquisa histórica, mas a segunda metade dela também é capaz de tornar Jesus relevante para crentes – e até para agnósticos ou ateus – durante muito tempo ainda.

A versão impressa desta reportagem é a capa da última edição da revista "Galileu", já nas bancas.


Fonte: G1.

Pesquisa sobre 'Jesus histórico' retrata Cristo mais humano, mas não ameaça fé - Parte 4

Retrato múltiplo

É possível extrair essas linhas gerais da missão de Jesus do material do Novo Testamento, mas é bem mais complicado afirmar se, durante sua vida terrena, Cristo considerava ser Deus encarnado, como diz o dogma cristão, ou mesmo tinha consciência plena de que sua morte na cruz serviria para redimir a humanidade, outra idéia que é central para a cristandade moderna.

O interessante, afirma Chevitarese, é que os textos do Novo Testamento parecem mostrar a convivência de várias visões sobre como e quando os cristãos consideravam que Jesus teria assumido seu status de Cristo, ou seja, de "ungido" (escolhido) e Filho de Deus. “Para Paulo [autor dos textos provavelmente mais antigos do Novo Testamento, datados por volta do ano 50], Jesus é o Cristo porque ressuscitou. O Evangelho de Marcos traz esse papel já para o batismo de Jesus feito por João Batista. Os Evangelhos de Mateus e Lucas recuam isso para o nascimento dele, enquanto João vê Cristo como preexistente ao próprio mundo. São quatro cristologias [visões sobre a natureza de Jesus] diferentes convivendo num espaço de 50, 60 anos.”

Como judeu, seria impensável para Jesus se colocar publicamente como igual a Deus, afirma Luiz Felipe Ribeiro. “Agora, isso não quer dizer que não houvesse uma autocompreensão de Jesus na qual ele se via como mais do que humano, uma autocompreensão messiânica, digamos.” Seria essa uma possível explicação para o misterioso título “Filho do Homem”, aparentemente empregada por Jesus para designar a si mesmo. Esse personagem aparece em vários escritos apocalípticos judaicos, muitos dos quais surgidos pouco antes do nascimento de Cristo. “Mas nem mesmo ali o Filho do Homem é igual a Deus - ele é mais um vice-regente, um segundo em comando”, diz Ribeiro.

Essas incongruências só são conhecidas porque os Evangelhos, apesar da fé religiosa por trás de sua composição, preservam uma trilha de pistas sobre o lado humano de Jesus. Tais pistas fortalecem o chamado critério do constrangimento, uma das principais maneiras de decidir se um fato ou uma fala do Novo Testamento remonta ao Jesus histórico. A idéia é que os evangelistas não inventariam passagens capazes de lançar dúvidas sobre o poder ou onisciência de Jesus.

O caso clássico do critério do constrangimento é o batismo de Cristo por João Batista no rio Jordão, afirma Emilio Voigt, doutor em Novo Testamento e professor da Escola Superior de Teologia de São Leopoldo (RS). “Se o batismo de João é para o arrependimento [dos pecados], porque Jesus precisaria ser batizado? Como Jesus, o Messias, poderia ser batizado por alguém teoricamente inferior a ele?”, diz o pesquisador. Segundo Voigt, a tradição cristã resolve isso por meio do “testemunho” de João – afirmações do profeta de que ele teria vindo apenas para proclamar a chegada de Jesus e de que, na verdade, não seria nem digno de batizá-lo.


Uma série de outros eventos constrangedores aparecem nos Evangelhos: os parentes de Jesus e os moradores de Nazaré o rejeitam como profeta, ele diz que “somente o Pai” conhece a hora da chegada do Reino, teme a aproximação da morte e, pregado na cruz, pergunta por que Deus o abandonou. Para John P. Meier, o registro de tantas situações potencialmente desencorajadoras sobre Jesus revela que os evangelistas estavam seguindo uma tradição histórica estabelecida e que eles não se sentiam totalmente livres para alterá-la a seu bel-prazer. E esse conservadorismo aumenta, de certa forma, a confiabilidade do "esqueleto" básico de fatos apresentado em tais textos.

Fonte: G1.

Pesquisa sobre 'Jesus histórico' retrata Cristo mais humano, mas não ameaça fé - Parte 3

O meu, o seu, o nosso Jesus

Se a invisibilidade arqueológica não ajuda, a imaginação e as preocupações modernas também atrapalham um bocado. No esforço de tornar o Jesus histórico relevante para a nossa época, ou como forma de polemizar com as atuais religiões cristãs, pesquisadores como o historiador irlandês John Dominic Crossan defendem que Cristo não se preocupava com a vida eterna ou o Juízo Final, mas pregava uma ética totalmente centrada no aqui e no agora, influenciada pela cultura grega. Outros enfatizam seu lado de revolucionário político, ou mesmo o retratam como uma espécie de mago itinerante, cujos milagres não passavam de truques.

“Acho que isso equivale a esvaziar Jesus”, avalia Chevitarese. "Não se pode tirá-lo do seu contexto judaico nem eliminar seu lado apocalíptico e escatológico [o de um profeta que espera o final dos tempos e a consumação da história humana]”, diz o historiador da UFRJ. Isso não quer dizer, por outro lado, que a pregação de Jesus fosse completamente isenta de idéias sobre a sociedade e a política. “A própria escatologia judaica também tem um substrato político”, lembra Luiz Felipe Ribeiro, professor da pós-graduação em história do cristianismo antigo da Universidade de Brasília (UnB). Ele cita um exemplo cristão, o livro do Apocalipse, que pode ser lido tanto como uma previsão do fim do mundo quanto um ataque contra a opressão romana que afetava os cristãos.

Para John P. Meier, professor da Universidade Notre Dame (EUA) e autor da monumental série de livros "Um Judeu Marginal" (ainda não concluída) sobre o Jesus histórico, o pregador de Nazaré resume e mistura o espiritual, o social e o político na frase-chave de seu anúncio profético: o “Reino de Deus”. Essa é a tradução mais comum em português do grego hé basilêia tou Theou, cujo sentido provavelmente está mais para “o Reinado de Deus” – a idéia de que Deus estava prestes a intervir dramaticamente no mundo, resgatando seu povo de Israel, instaurando seu domínio de justiça e paz e incluindo até os povos pagãos entre seus escolhidos nesse Universo transformado.

“Isso explica por que Jesus parece relativamente despreocupado em relação a problemas sociais e políticos específicos. Ele não estava pregando a reforma do mundo; estava pregando o fim do mundo”, escreve Meier. No entanto, em vez de se concentrar nos terríveis tormentos que aguardariam os pecadores que não se arrependessem, o profeta da Galiléia ressaltava que o Reinado de Deus era um poder misericordioso, aberto a todos os que o recebessem.

Não é à toa que algumas autoridades judaicas, ou o grupo dos fariseus (algo como “separados”, em hebraico) ficavam escandalizados com o lado festivo da vida de Jesus e seus discípulos. Afinal, eles não hesitavam em comer e beber com cobradores de impostos, prostitutas e outros “pecadores notórios” da sociedade israelita, como sinal da proximidade e da inclusão do Reino.


“Proximidade”, aliás, talvez não seja a palavra exata: ao mesmo tempo em que Jesus via o Reinado de Deus como uma promessa a se realizar no futuro próximo, também insinuava que esse Reino já estava presente no ministério do próprio Cristo, diz Meier. “As curas e os exorcismos realizados por Jesus não seriam, portanto, meros atos isolados de bondade e compaixão: estariam mais para demonstrações dramáticas de que o Reino de Deus já estava chegando a Israel”, afirma o pesquisador. Não dá para forçar a mão de Deus, diz Jesus: seu Reinado é um ato espontâneo de misericórdia, voltado não para quem o merece, mas para quem mais precisa dele – os pobres, os famintos, os que choram. Não é à toa que esse Deus recebe de Jesus o apelido de Abbá – nada menos que “papai” em aramaico.

Mais importante ainda, Jesus se apresenta como o mediador para os que querem participar do Reinado de Deus: rejeitar sua mensagem equivale a rejeitar a ordem divina. E, como registram os Evangelhos, a proclamação é voltada exclusiva ou principalmente a judeus como Jesus. Não é à toa que ele escolhe os Doze Apóstolos (provavelmente simbolizando as doze tribos de Israel, espalhadas pelo mundo, que Deus deveria reunir no fim dos tempos) e ordena que eles se dirijam apenas às “ovelhas perdidas da casa de Israel”. Para Jesus, a imagem desse Reino de Deus consumado é a de um banquete – e, paradoxalmente, ele chega a afirmar que alguns de seus compatriotas judeus, os que não o aceitam, poderão ser os barrados no baile, enquanto gente “do Oriente e do Ocidente” – os pagãos – acabam sendo incluídos.

Fonte: G1.

Pesquisa sobre 'Jesus histórico' retrata Cristo mais humano, mas não ameaça fé - Parte 2


Homem invisível

Volta e meia ressurge a esperança de que os Evangelhos não serão mais a principal (ou mesmo a única) fonte sobre o Jesus histórico. Há quem coloque suas fichas em achados arqueológicos, como inscrições, túmulos e textos antigos. Dois exemplos recentes desse tipo de pesquisa, porém, não tiveram um resultado dos mais gloriosos.

Em 2002, foi a vez do chamado Ossuário de Tiago, uma caixa de pedra feita originalmente para conter o esqueleto de um homem que morreu em Jerusalém no século 1. No artefato havia uma inscrição em aramaico (língua aparentada ao hebraico que era a mais falada entre os judeus do tempo de Cristo), com os dizeres: “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. O ossuário, afirmavam alguns especialistas, teria pertencido a Tiago, irmão ou primo de Jesus que liderou a igreja cristã de Jerusalém até o ano 62 d.C. Mas análises mais detalhadas comprovaram que o pedaço crucial da inscrição (“irmão de Jesus”) foi adicionado por um falsificador do século 21.

Um bafafá parecido cercou, em 2006, novas análises de outros ossuários de Jerusalém, originalmente desenterrados nos anos 1980. Num mesmo jazigo familiar estavam enterrados “Jesus, filho de José”, Maria (a mãe dele?), Mariamne (supostamente, Maria Madalena) e outras pessoas cujos nomes lembram os de personagens do Novo Testamento. Um documentário produzido por James Cameron (ele mesmo, o criador de "Titanic") defendeu que os ossuários eram a prova de que Jesus tinha se casado com Maria Madalena. Os defensores da tese argumentam que seria muito improvável a ocorrência conjunta desses nomes na Jerusalém do século 1 d.C. sem que houvesse uma ligação com Jesus de Nazaré. Nenhum estudioso sério do Jesus histórico, contudo, dispôs-se a comprar a idéia – calcula-se que, só na Cidade Santa, teriam vivido mais de mil “Jesus, filhos de Josés” nessa época.

Esses fracassos talvez tenham uma explicação muito simples: a pessoa de Jesus pode ser “invisível” para a arqueologia. “E não só ele como quase toda a primeira e a segunda geração de cristãos. São pessoas periféricas, gente muito simples, de origem rural”, afirma André Leonardo Chevitarese, historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Romanos e judeus de classe alta construíam palácios e tinham selos (carimbos) pessoais feitos com metal ou pedra preciosos; carpinteiros e pescadores da Galiléia (a terra natal de Jesus, no norte de Israel), por outro lado, podiam passar a vida inteira usando apenas materiais perecíveis. Chevitarese, aliás, é cético até em relação à idéia de um enterro formal para Jesus.

“Em todo o mundo romano, o costume era abandonar o cadáver na cruz, para ser comido por abutres ou cães”, lembra o historiador da UFRJ. Ele também diz ser suspeita a figura de José de Arimatéia, judeu rico e simpatizante secreto de Jesus que teria obtido seu corpo e organizado seu sepultamento, segundo os Evangelhos.

“Camponeses como os seguidores de Jesus não teriam como se dirigir a Pilatos para exigir o corpo. Assim, os evangelistas enfrentam o problema de explicar o sepultamento de Jesus e usam a figura de José de Arimatéia, que praticamente cai de pára-quedas na narrativa”, diz. Por outro lado, há pelo menos um registro de crucificado judeu que teve um sepultamento digno – Yehohanan (João), filho de Hagakol, cujo ossuário foi descoberto por arqueólogos israelenses em 1968. O osso do calcanhar de Yehohanan ainda continha o cravo usado para pregá-lo na cruz.

Fora algum tremendo golpe de sorte, o máximo que a arqueologia pode fazer é iluminar a vida cotidiana no tempo de Jesus (indicando em que tipo de casa ele vivia ou que modelo de taça ele teria usado para beber vinho com seus discípulos) ou como era a religião judaica naquela época. Esse provavelmente é o caso de um misterioso texto do século 1 a.C., pintado numa pedra e analisado por Israel Knohl, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Em julho passado, Knohl apresentou sua interpretação do texto (o qual não está inteiramente legível e, por isso, tem de ser reconstruído hipoteticamente): ele mencionaria a morte e ressurreição de um Messias décadas antes do nascimento de Jesus. Ainda que a interpretação esteja correta, é difícil ver como ela mudaria nossa compreensão sobre as origens do cristianismo: afinal, um dos grandes argumentos dos seguidores de Jesus é justamente que seu retorno dos mortos já tinha sido previsto nas profecias judaicas.

Fonte:
G1.

Pesquisa sobre 'Jesus histórico' retrata Cristo mais humano, mas não ameaça fé - Parte 1

Anúncio do Reino de Deus, judaísmo e humildade marcam Nazareno.Evangelhos mesclam fatos e interpretações feitas por grupos cristãos.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo

É um bocado irônico que o personagem mais influente da história humana também seja um dos mais misteriosos. Jesus de Nazaré não tem data de nascimento ou morte registrada com segurança (embora seja possível estimá-las com margem de erro de dois ou três anos); não deixou nada escrito de próprio punho (há até quem argumente que ele provavelmente era analfabeto); não restou um único artefato do qual se possa dizer com certeza que pertenceu a ele.

Os relatos de seus seguidores, escritos entre duas e seis décadas após a morte na cruz, falam com riqueza de detalhes de um período curtíssimo de sua vida adulta, elencando seus atos e ensinamentos, mas nos deixam no escuro sobre a maior parte de sua infância e adolescência, suas angústias pessoais e seu relacionamento com amigos e familiares.

A situação pode soar desesperadora ao extremo para um historiador que, sem recorrer à fé cristã, queira reconstruir a vida e a mensagem desse judeu singular. Mas a situação é menos complicada do que parece. Por um lado, é preciso reconhecer que os Evangelhos, principais narrativas sobre Jesus na Bíblia cristã, não são livros históricos no sentido moderno do termo. “Os textos dos Evangelhos, todos eles, são uma combinação de elementos históricos e interpretações feitas posteriormente no âmbito das comunidades cristãs", lembra o padre Léo Zeno Konzen, coordenador do curso de teologia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (RS).

Trocando em miúdos: os evangelistas (conhecidos entre nós pelos títulos tradicionais de Mateus, Marcos, Lucas e João) estavam tão preocupados em relatar o que tinha acontecido com Jesus e os apóstolos 50 anos antes quanto em tornar esses fatos relevantes para seu público, formado por cristãos nascidos depois que seu Mestre morrera na cruz. A boa notícia, porém, é que a leitura crítica e cuidadosa dessas narrativas é capaz de resgatar grande parte da vida terrena de Jesus.

O retrato que emerge desse esforço é, em certos aspectos, familiar para qualquer cristão, ao mesmo tempo em que humaniza o Nazareno. O chamado Jesus histórico é uma figura humilde, que põe sua mensagem - o anúncio da chegada do Reino de Deus - acima de qualquer preocupação com sua própria importância. Não se comporta como uma entidade superpoderosa ou onisciente. E coloca em primeiro lugar a história e o destino do povo de Israel, ao qual pertence. É um Jesus que pode ajudar os cristãos a repensarem a origem de sua própria fé - mas difícilmente é uma ameaça a ela, a menos que se acredite que todo versículo dos Evangelhos é verdade literal, como se fosse um filme do que aconteceu no ano 30 d.C.

Fonte: G1.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Existência histórica de Jesus Cristo é inquestionável, afirmam especialistas

Fontes cristãs, judaicas e pagãs evidenciam historicidade do homem. Menções lacônicas fora do Novo Testamento mostram desimportância.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo (14/09/08)

Viciados em teorias da conspiração adoram a idéia: Jesus nunca teria existido. As histórias sobre sua vida, morte e ressurreição que chegaram até nós seriam mera colagem de antigos mitos egípcios e babilônicos, com pitadas do Antigo Testamento para dar aquele saborzinho judaico. Na prática, Cristo não seria mais real do que Osíris ou Baal, dois deuses mitológicos que também morreram e ressuscitaram.

No entanto, para a esmagadora maioria dos estudiosos, sejam eles homens de fé ou ateus, a tese não passa de bobagem. A figura de Jesus pode até ter “atraído” elementos de mitos antigos para sua história, mas temos uma quantidade razoável de informações historicamente confiáveis sobre ele, englobando pistas de fontes cristãs, judaicas e pagãs.

De Paulo a Tácito

Começamos, no Novo Testamento, com as cartas de São Paulo, escritas entre 20 anos e 30 anos após a crucificação do pregador de Nazaré. Cerca de 40 anos depois da morte de Jesus, surge o Evangelho de Marcos, o mais antigo da Bíblia; antes que o século 1 terminasse, os demais Evangelhos alcançaram a forma que conhecemos hoje. A distância temporal, em todos esses casos, é mais ou menos a mesma que separava o historiador Heródoto da época da guerra entre gregos e persas, que aconteceu entre 490 a.C. e 479 a.C. – e ninguém sai por aí dizendo que Heródoto inventou Leônidas, o rei casca-grossa de Esparta.

Outra fonte crucial é Flávio Josefo, autor da obra "Antigüidades Judaicas", também do século 1. O texto de Josefo sofreu interferências de copistas cristãos, mas é possível determinar sua forma original, bastante neutra: Jesus seria um “mestre”, responsável por “feitos extraordinários”, crucificado a mando de Pilatos, cujos seguidores ainda existiam, apesar disso. Duas décadas depois, o historiador romano Tácito conta a mesma história básica, precisando que Jesus tinha morrido na época de Pilatos e do imperador Tibério (duas referências que batem com o Novo Testamento).

Esses dados mostram duas coisas: a historicidade de Jesus e também sua relativa desimportância diante das autoridades romanas e judaicas, como um profeta marginal num canto remoto e pobre do Império.


Fonte: G1.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O CARA!

Lula 'é o cara', diz Obama durante reunião do G20, em Londres
Presidentes se encontraram durante almoço de líderes.

Para Obama, Lula é o 'político mais popular do mundo'.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou um elogio do presidente dos EUA, Barack Obama, nesta quinta-feira (2). Ao encontrar o presidente brasileiro durante almoço que fez parte da reunião de líderes do G20 (grupo de países desenvolvidos e em desenvolvimento), em Londres, na Inglaterra, Obama afirmou que Lula "é o cara" e que o presidente brasileiro é o "político mais popular do mundo".

"É porque ele é boa pinta", frisou o presidente norte-americano, ao lado do secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner. Os elogios de Obama foram traduzidos para Lula pelo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.


Fonte: G1.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A Dualidade de Poderes e os 50 anos da Revolução Cubana

“A dualidade de poderes é uma condição peculiar a crises sociais, característica não exclusivamente da Revolução Russa de 1917.” (TROTSKY, L)


O século XX foi marcado por vários acontecimentos de rupturas da ordem vigente conhecidas como revoluções. Um desses movimentos completou 50 anos em 2009. Trata-se da Revolução Cubana, de 1959, que ecoa até hoje tendo em vista que seus ícones principais continuam vivos, como os irmãos Castro, Fidel e Raul, e o grande inimigo dos cubanos continuar sendo os Estados Unidos da América.

“O Estado é a forma na qual os indivíduos de uma classe dominante fazem valer seus interesses comuns” (MARX, K. & ENGELS, F). Se partirmos desta premissa, poderemos notar a questão da dualidade de poderes existente em Cuba em seu contexto revolucionário. Entendemos que não há nenhum conflito social sem que a questão da dualidade de poderes não esteja contida, pois, na oposição entre classes sociais, cujos interesses são antagônicos, reside o fundamento social da dualidade de poderes. “O caráter de um regime político é diretamente determinado pela relação das classes oprimidas com as classes dominantes” (TROTSKY, L). A definição do poder de Estado como uma “relação” entre as classes, dominados e dominantes, ou correlação de forças, é alterada por Trotsky de uma teoria “restrita” do Estado, defendida por Marx, Engels e Lênin, para uma teoria de Estado “ampliado”. Ele introduz uma teoria processual para conceber o movimento como um período pré-revolucionário, ou seja, para que aconteça a revolução a classe revolucionária pode ocupar parte do poder do Estado antes da transferência total.

O Estado cubano era governado por Fulgencio Batista, destituído do cargo, mas que voltara ao poder em 1952 mediante golpe de Estado, sob o aval e participação dos Estados Unidos da América na figura de seus embaixadores, Artur Gardner e Earl E.T. Smith, que não possuíam nenhuma experiência política ou diplomática. Os Estados Unidos forneciam a Batista vários armamentos, mas, ao mesmo tempo, financiava membros do M-26-7, movimento revolucionário cubano 26 de julho, com recursos entregues por meio de altos funcionários da CIA, com o objetivo de estabelecer contatos tanto com o governo quanto com a oposição, a fim de garantir os interesses norte-americanos na ilha. Prova desta correlação de forças – poder do Estado e poder revolucionário – foi a aquisição de armas, equipamentos de rádio, e do Granma, o iate que levou Fidel e seus guerrilheiros do México até Cuba, com recursos provenientes da CIA, via Prío Sacarras, ex-presidente de Cuba. São fatos importantes que vão estruturar o movimento revolucionário através da guerrilha na região de Sierra Maestra, da criação da Rádio Rebelde durante este período pré-revolucionário, segundo as definições de Trotsky. Porém, ao cooperar com o governo Batista fundando o BRAC (Buró de Represión a las Actividades Comunistas), responsável pela tortura de presos políticos ou suspeitos de atividades revolucionárias, fomentou o sentimento de antiamericanismo nos revolucionários por criarem uma identificação com o governo em vigor.

Para acabar com esta correlação de forças, cogitou-se pelo governo de Washington a criação de uma “terceira força”, formada por grupos de oposição ao governo Batista e que servisse de contraponto a Fidel Castro. Por meio de eleições fraudulenta, o candidato da situação saiu vitorioso. Entretanto, Smith concluindo que Batista não cumprira com o compromisso de assegurar eleições livres e abertas, declarou Castro vencedor.

Com a intensificação dos ataques das colunas guerrilheiras e com a decomposição do exército de Batista, Fidel Castro, principal líder de oposição, partiu para o “choque frontal” tomando de assalto Santiago, capital da Província de Oriente, em 1958, e ordenou a Che Guevara e Camilo Cienfuegos que com suas colunas seguissem para Havana e ocupassem o Campo Colúmbia e a fortaleza de La Cabaña, provocando a renúncia de
Batista, já sem o respaldo dos Estados Unidos, no reveillon de 1959. A “explosão revolucionária” foi rápida, pois “a insurreição, violenta por si mesma, realiza-se habitualmente num curto espaço de tempo” (TROTSKY, L). Com o lema “Revolución Sí, Golpe Militar No!”, Fidel Castro proclamou Manuel Urrutia, juiz da Província de Oriente, presidente provisório de Cuba, investido em nome do poder revolucionário, antes de assumir o comando da nação.

* Citações feitas por C.N. Coutinho no livro A Dualidade de Poderes – introdução à teoria marxista de estado e revolução. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1985.

quinta-feira, 5 de março de 2009

I Have a Dream

"Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para a Geórgia, voltem para a Louisiana, voltem para as favelas e guetos de nossas cidades do norte sabendo que, de alguma forma, esta situação pode e vai ser mudada. Não nos arrastemos pelo vale do desespero. Digo hoje a vocês, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho de que um dia esta nação vai se levantar e viver o verdadeiro significado de sua crença: 'Consideramos essas verdades auto-evidentes: que todos os homens são criados iguais'. Eu tenho um sonho de que um dia, nas montanhas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos donos de escravos serão capazes de sentarem-se juntos à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos um dia viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter (...). Quando permitirmos que a liberdade ecoe, quando permitirmos que ela ecoe em cada vila e cada aldeia, em cada estado e cada cidade, seremos capazes de avançar rumo ao dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar as mãos e cantar as palavras da velha cantiga negra, 'Enfim livres! Enfim livres! Graças a Deus Todo-Poderoso, enfim estamos livres!'."
(Eu Tenho Um Sonho, Washington, 28 de agosto de 1963)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O português João Ferreira de Almeida

Ele traduziu a Bíblia e as fábulas de Esopo

Em 1642, um adolescente de 14 anos, chamado João Ferreira de Almeida, nascido em Lisboa e residente na ilha de Java (Indonésia), leu um folheto em espanhol intitulado "A Diferença da Cristandade da Igreja Reformada e Romana" e se tornou calvinista. O rapazinho era um gênio em lingüística e, aos 17 anos, já havia traduzido para o português o Novo Testamento, servindo-se da versão latina de Beza, da espanhola, da francesa e da italiana. Casou-se com a filha de um pastor holandês, que muito o ajudou no estudo do holandês e do grego. Com a idade de 28 anos ordenou-se pastor da Igreja Reformada e foi enviado como missionário ao Ceilão e à Índia. Mais tarde voltou para Java e pastoreou a comunidade portuguesa de Batávia, hoje Jacarta, capital da Indonésia. Dos originais grego e hebraico, traduziu todo o Novo Testamento (1670) e quase todo o Velho Testamento (de Gênesis a Ezequiel, 48.21). A impressão foi custeada pela Companhia Holandesa das Índias Orientais. Um volume, na 3ª edição, impresso em Amsterdam, em 1712, pode ser visto na Seção de Livros Raros da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

João Ferreira de Almeida é o primeiro tradutor da Bíblia em língua portuguesa e o autor da 32ª versão integral da Bíblia nas línguas modernas, depois da Reforma. A obra tem sido revisada várias vezes. A Sociedade Bíblica do Brasil gastou dez anos para apresentar uma edição revista e atualizada no Brasil da tradução de Almeida. É a versão mais usada pelos evangélicos brasileiros. O extraordinário lisboeta traduziu também a liturgia das Igrejas Reformadas, o Catecismo de Heidelberg e as fábulas de Esopo (aos 44 anos).

A morte o levou no dia 6 de agosto de 1691, com a idade de 63 anos.

Elben César

Fonte: Ultimato, em 05/12/2008.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Revolta da Chibata ganha HQ, em ano de anistia

MARCO AURÉLIO CANÔNICO
da Folha de S.Paulo, em 15/10/2008

"Há muito tempo
nas águas da Guanabara
o dragão do mar apareceu
na figura de um bravo marinheiro
a quem a história não esqueceu."

Apesar da homenagem de Aldir Blanc e João Bosco em "O Mestre-Sala dos Mares" (1975), o personagem da canção, João Cândido Felisberto (1880-1969), líder da Revolta da Chibata, foi largamente ignorado por quase um século, como mostra o recém-lançado álbum em quadrinhos "Chibata!".

Criada pelos cearenses Olinto Gadelha (texto) e Hemeterio (desenhos), a HQ mistura ficção e documentos históricos para narrar a vida de João Cândido da infância à velhice, tendo como foco sua liderança na rebelião dos marinheiros contra os castigos físicos, em 1910.

A sugestão do tema veio da Conrad, em 2005 --a editora convidou Hemeterio para desenhar a HQ e este chamou Gadelha, com quem já trabalhava há tempos, para criar o roteiro.

A partir daí, começou um trabalho de pesquisa nas bibliotecas públicas de Fortaleza e na internet, além de uma visita ao Rio, cenário da ação.

"A gente conhecia superficialmente a história do João Cândido e, quando acabamos a pesquisa, descobrimos um herói do mesmo porte do Tiradentes", diz Hemeterio.

"É a típica saga do herói: ascensão e queda, abnegação, sacrifício. Ele entregou sua vida por uma causa, mesmo sabendo que era uma causa perdida. É um personagem grandioso que estava escondido."

Revolta e traição

A HQ é narrada com idas e vindas cronológicas, a partir de flashbacks do velho João Cândido no período em que esteve internado no hospício da Praia Vermelha, no Rio.

Os autores imaginam a infância do filho de ex-escravos no Rio Grande do Sul e mostram sua entrada na Marinha e as condições degradantes a que eram submetidos os marujos -com comida estragada e chibatadas como punição.

Além de narrar a noite da revolta, em 22 de novembro de 1910, quando João Cândido e 2.300 marinheiros tomaram as grandes embarcações da armada, o livro mostra os desdobramentos políticos do episódio.

Tabu

Apesar de terem conseguido um acordo e uma anistia por parte da Marinha, os revoltosos foram punidos posteriormente com prisão, tortura e, em alguns casos, execução.

A partir daí, o tema virou tabu. "Mesmo nos tempos modernos, todos que tentaram falar sobre a Revolta da Chibata sem se ater à versão oficial sofreram represálias", diz Gadelha. A HQ mostra um desses episódios: a infame surra no jornalista Aparício Torelly, o Barão de Itararé.

"Chibata!" vem coroar, pelo lado da cultura pop, o ano em que João Cândido e seus companheiros foram oficialmente anistiados pelo lado político.

Em março, a Marinha tornou públicos documentos oficiais referentes a João Cândido. Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou projeto de anistia ao marinheiro.

"[A anistia] foi simbólica, mas deveria ter acontecido enquanto ele estava vivo. Agora é como pedir perdão para o vento", diz Gadelha. "Com a proximidade do centenário [da revolta, em 2010] espero que haja outros projetos sobre ele."

domingo, 12 de outubro de 2008

Aconteceu em 12 de outubro:

1810 - É celebrada na Alemanha a primeira Oktoberfest. A festa tinha o formato de uma corrida de cavalos e foi realizada em homenagem ao casamento do príncipe de Baviera, que mais tarde se tornaria o rei Luís I (1786-1868). O evento fez tanto sucesso que passou a ser anual. A tradição da corrida de cavalos acabou em 1960, mas a festa continua ainda hoje, com duração de cerca de duas semanas e término no primeiro domingo de outubro.

Fonte: Aventuras na História, nº 63, Ed. Abril.

1492 - O navegador Cristóvão Colombo desembarca em San Salvador, nas Bahamas. O fato fica marcado como o descobrimento da América.
1811 - Argentina reconhece a independência do Paraguai.
1813 - Paraguai se constitui em república independente, rompendo definitivamente com Espanha e Argentina.
1825 - Na batalha de Sarandi, no Uruguai, vitória dos uruguaios sobre os brasileiros.
1910 - Encontrado na catedral de Aquisgrán o sarcófago com os restos mortais do imperador Otón III que viveu entre 983 e 1002.
1911 - Um terremoto no México mata 700 pessoas.
1918 - A epidemia da gripe espanhola, que já havia se espalhado nos Estados Unidos atinge o auge no Brasil.
1929 - Inaugurado o serviço telefônico entre Espanha, Uruguai e Argentina.
1931 - A estátua do Cristo Redentor é inaugurada no Corcovado, no Rio de Janeiro.
1931 - Jorge Amado lança seu primeiro romance, "O país do Carnaval".
1935 - Nasce Luciano Pavarotti, tenor italiano.
1943 - Segunda Guerra Mundial: o governo italiano declara guerra à Alemanha.
1949 - Nasce o venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido por "Carlos, o Chacal".
1968 - A polícia invade um sítio em Ibiúna, interior de São Paulo, onde estava sendo realizado um congresso clandestino da União Nacional dos Estudantes.
1968 - Abertura dos XIX Jogos Olímpicos, no México.
1972 - O programa infantil Vila Sésamo estréia na tevê brasileira.
1984 - Atentado do grupo terrorista IRA contra a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, no Grand Hotel Brighton, em Londres. Ela escapa sem ferimentos.
1987 - Nas ruas de Washington, nos Estados Unidos, uma marcha pelos direitos civis reúne cerca de 200 mil gays, lésbicas e simpatizantes.
1992 - Um terremoto sacode o Cairo e causa a morte de 552 pessoas, além de graves danos materiais.
1992 - O papa João Paulo II celebra o quinto centenário de evangelização da América.
1997 - Fidel Castro, presidente de Cuba desde 1959 anuncia que seu irmão Raul será o seu sucessor.
1999 - Golpe de Estado no Paquistão, liderado por Pervez Musharraf.
1999 - Nasce o indivíduo seis bilhões do planeta Terra.

sábado, 11 de outubro de 2008

Aconteceu em 11 de outubro:

1737 - Um terremoto em Calcutá mata 300 mil pessoas.
1833 - Inicia em Buenos Aires a revolta chamada "Los restauradores", dirigida pelos federais, contra o governo de Juan Ramón Balcarce.
1880 - Colômbia e Chile assinam um tratado de paz.
1915 - Nasce Arthur Miller, escritor norte-americano.
1916 - Pressionado pela direita, o ministro alemão da Guerra ordena o censo entre judeus nas Forças Armadas alemãs. O objetivo era comprovar que os judeus se esquivavam de lutar na frente de batalha da Primeira Guerra Mundial. O censo deflagrou uma nova onda de anti-semitismo no país.
1928 - O dirigível alemão Conde Zeppelin levanta vôo para a primeira viagem aos Estados Unidos.
1930 - Getúlio Vargas transmite o governo do Rio Grande do Sul para Osvaldo Aranha, que participou da Revolução Federalista de 1923.
1962 - O papa João XXIII inaugura o Concílio Vaticano II, que moderniza o espírito e as estruturas da igreja Católica.
1963 - As Nações Unidas condenam o apartheid, regime de segregação racial na África do Sul, por 106 votos a um.
1963 - Morre Edith Piaf, cantora francesa.
1967 - Inundações em Buenos Aires causam a morte de 50 pessoas e obrigam outras 190 mil a evacuar a capital argentina.
1977 - A lei que cria o estado do Mato Grosso do Sul, a partir de 1º de janeiro de 1979 é sancionada.
1981 - O atleta brasileiro Pepê vence o campeonato mundial de vôo livre e torna-se símbolo da geração saúde.
1991 - Fidel Castro culpa a URSS pela crise econômica cubana no IV Congresso do Partido Comunista Cubano, em que é reeleito líder.
1992 - Os reis da Espanha presidem em Sevilha a comemoração do quinto centenário de descobrimento da América.
1993 - O Conselho central da OLP rartifica o acordo de paz com Israel e decreta Yasser Arafat como autoridade máxima palestina.
1996 - O vocalista da banda Legião Urbana Renato Russo morre de insuficiência pulmonar, aos 36 anos e com apenas 45 quilos. Ele tinha Aids desde 1990.
1999 - O cientista alemão Gunter Blobel vence o prêmio Nobel de Medicina, pela descoberta de que as proteínas "emitem sinais internos que governam seu transporte e a localização na célula".

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Aconteceu em 10 de outubro:

1856 - Morre Vicente López Planes, poeta e militar argentino, autor da letra do hino nacional da Argentina.
1868 - Com 150 homens e 200 escravos de sua propriedade, o patriota Carlos Manuel de Céspedes proclama a indepdendência de Cuba.
1871 - A chuva termina com o incêndio iniciado dois dias antes e que destruiu Chicago. Na época, ela era a quarta maior cidade dos Estados Unidos.
1886 - O smoking é pela primeira vez usado em Nova Iorque, no Tuxedo Park Country Club.
1897 - O químico alemão Felix Hoffman sintetiza o ácido salicílico, antecessor da aspirina, que viria a ser o mais consumido remédio do mundo.
1911 - Sun Yat-Sen, líder chinês nacionalista proclama a República da China e começa a revolução que derrubaria a dinastia Manchu.
1913 - O presidente norte-americano Woodrow Wilson explode a carga de dinamite do último obstáculo para unir as águas do Atlântico com o Pacífico, através do canal de Panamá.
1913 - Revolução no México: o general Victoriano Huerta dissolve a Câmara e prende a maioria dos deputados.
1930 - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai firman tratado no Rio de Janeiro, em que não haverá agressões entre eles e outros estados.
1962 - O Santos ganha o Campeonato Mundial Interclubes, derrotando o Benfica por 5 x 2, na Vila Belmiro.
1963 - Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido assinam um tratado proibindo testes atômicos na atmosfera.
1970 - As ilhas Fiji tornam-se independentes da Inglaterra depois de quase um século de protetorado.
1975 - Os atores Richard Burton e Elizabeth Taylor se casam pela segunda vez. Era a sexta união da atriz americana.
1980 - Centenas de pessoas morreram em terremoto que sacudiu a região argelina de Al Asnam.
1985 - Morre Orson Welles, cineasta norte-americano.
1986 - Dois terremotos em El Salvador causam a morte de pelo menos 900 pessoas e deixam dez mil feridos. Outras 200 mil pessoas tiveram problemas materiais.
1997 - A Campanha Internacional para o Banimento das Minas Terrestres ganha o Prêmio Nobel da Paz. Liderado pela americana Jody Williams, o grupo teve apoio da Princesa Diana.
1998 - O ex-policial militar Otávio Lourenço Gambra, o "Rambo" é condenado a 65 anos de prisão por assassinato e abuso de poder. Os crimes aconteceram na Favela Naval, em 1997, e foram filmados por um cinegrafista amador.
2000 - O russo Zhores Alferov e os norte-americanos Herbert Kroemer e Jack Clair Kilby dividem o Prêmio Nobel de Física pela invenção do chip na década de 70.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Aconteceu em 9 de outubro:

1967 - Execução de Ernerto "Che" Guevara.

Ernesto Guevara de la Serna nasceu em Rosário, importante cidade industrial Argentina ao noroeste de Buenos Aires, numa família de classe média alta. Em 1953, Guevara atuou como repórter fotográfico cobrindo os Jogos Pan-Americanos do México, por uma agência de notícias argentina.

Em 1953, ele conhece Raúl Castro que logo o apresentaria a seu irmão mais velho, Fidel Castro. Esse organiza e lidera o movimento guerrilheiro 26 de Julho, ou M26. Fez parte dos 82 homens que partem para Cuba em 1956 com Fidel Castro e dos quais só 12 sobreviveriam. É durante esse ataque que Che, após ser duramente espancado pelos rebeldes, larga a maleta médica por uma caixa de munição de um companheiro abatido, um momento que tempos depois ele iria definir como o marco divisor na sua transição de doutor a revolucionário. Em seguida eles se instalam nas montanhas da Sierra Maestra de onde iniciam a luta contra o presidente cubano Fulgencio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos. Após a vitória dos revolucionários em 1959, instaura-se um novo regime em Cuba, de orientação socialista.

Guevara, então braço direito de Fidel, torna-se um dos principais dirigentes do novo estado cubano: Embaixador, Presidente do Banco Nacional, Ministro da Indústria. Che esteve oficialmente no Brasil em agosto de 1961, quando foi condecorado pelo então Presidente Jânio Quadros com a Grã Cruz da ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. Em 8 de agosto de 1961 Che discursou numa reunião da OEA em Punta del Este. Em 1964, representou oficialmente Cuba nas Nações Unidas, tendo pronunciado um discurso por ocasião da sua 19ª Assembléia Geral, em 11 de dezembro de 1964. Em 4 de outubro de 1965 Fidel Castro anunciou que Ernesto Che Guevara deixara a ilha para lutar contra o imperialismo.

Na Bolívia, onde tentou estabelecer uma base guerrilheira para lutar pela unificação dos países da América Latina e de onde pretendia invadir a Argentina, enfrentou dificuldades com o terreno desconhecido, não recebeu apoio do partido comunista boliviano e não conseguiu conquistar a confiança dos poucos camponeses que moravam na região que escolheu para suas operações. Cercado e capturado em 8 de outubro de 1967 e executado no dia seguinte pelo soldado boliviano Mário Terán, a mando do Coronel Zenteno Anaya, na aldeia de La Higuera. Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade real do guerrilheiro, devido à miríade de documentos falsos, de vários países, que utilizou para entrar e viver na Bolívia. A confusão estabelecida em torno do caso culminou no desaparecimento do seu corpo, que só foi encontrado trinta anos depois.

Em 1997 seus restos mortais foram encontrados por pesquisadores numa vala comum, junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande, a cerca de 50 Km de onde ocorreu a sua execução. Sua ossada estava sem as mãos, que foram amputadas (para servir como troféu) logo após a sua morte, a pedido de Juan Coronel Quiroga, amigo pessoal do então ministro da defesa da Bolívia, mantidas em formol e entregues a ele: "Por anos guardei as mãos de Che Guevara debaixo de minha cama, em um grande pote de vidro.(...)". Seus restos mortais foram transferidos para Cuba, onde em 17 de outubro deste mesmo ano são enterrados com honras de Chefe de Estado, na presença de membros da sua família e do líder cubano e antigo companheiro de revolução Fidel Castro.

(Foto tirada por Alberto Diaz Gutiérrez, conhecido profissionalmente como Alberto Korda, em 1967.)

Fonte: Wikipédia.