sábado, 7 de maio de 2011
Religião se discute?
Tenho visto muitas pessoas escondendo ou mentindo sobre suas religiões quando o censo bate em suas portas. Vejo também muitas pregando as suas ideologias e sendo criticadas por isso, por tentarem arrebanhar mais adeptos para suas crenças. Existe contradição nisso? Não seria natural tentar levar todos para o lugar que você considera um paraíso ?
Para evitar especulações digo logo qual é a minha. Sou católico apostólico romano fervoroso, porém não praticante. Aliás, nem lembro de ter praticado algum dia. Minha mãe, apesar de espírita no passado, nos batizou na igreja católica porque sempre acreditou que quem não tem padrinho morre “pagão”, era exatamente assim que ela dizia, e ainda diz.
O casamento é um ótimo exercício para essa reflexão. Muitas pessoas têm o sonho de casar na igreja, as mulheres vestidas de noiva com toda pompa e circunstância, mas o certo não seria ser parte da comunidade religiosa dessa igreja?
Outra questão que precisa ser discutida são as tensões entre as religiões. Pois apesar do discurso de tolerância temos que entender que fica muito difícil tolerar aquilo que você tem por principio combater. É o caso das regiões que tentam exorcizar os demônios do corpo de outros religiosos. Porém esses outros religiosos acreditam que suas entidades são tão sagradas quantos as imagens ou livros dos seus combatentes. E aí, irmão, não tem acordo. Ou tem?
Você como protestante deixaria seu filho brincar na casa de uma outra criança cujos pais sejam umbandistas ou ligados ao candomblé? Se fosse o contrário, você permitiria?
É comum evangélicos empregarem pessoas de outras religiões? Ou os não evangélicos darem oportunidades para os protestantes?
Seja quais forem as respostas, a tolerância religiosa não deve vir por medida provisória.
Em uma época em que nações inteiras são destruídas em nome de religiões, acredito que a discussão sobre elas não pode ter como objetivo desqualificar o outro ou simplesmente converter, mas consolidar as ideias e ideais.
Discutir, por exemplo, o impacto de algumas religiões que educam seus filhos e adeptos a acreditarem que os gays constituem um câncer social é uma forma de avançarmos socialmente. Discutir sobre religiões que oferecem o corpo de crianças para suas entidades é fundamental para a compreensão de alguns mitos pois consolida a construção de todo o nosso coletivo, para o bem e para o mal. A relevância do debate sobre religiões existe porque elas continuam sendo parâmetro de felicidade até para quem não se identifica com nenhuma.
Se você acha que eu só falei bobagem aqui, então essa será mais uma prova de que precisamos discutir esse tema. Vamos?
Por Celso Athayde . 06.05.11 - Yahoo! Notícias.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Universo não surgiu por acaso e é fruto da criatividade de Deus, diz papa
Declarações foram feitas durante sermão na Missa da Epifania, no Vaticano.
Do G1, com agências internacionais
A mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang, e os cristãos devem rejeitar a ideia de que o universo tenha surgido por acaso, disse o papa Bento XVI nesta quinta-feira (6).
'O universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos', disse Bento XVI no dia em que os cristãos celebram a Epifania, na missa que celebra o batismo de Cristo, no dia em que a Bíblia diz que os três reis magos, seguindo uma estrela, chegaram ao lugar onde Jesus nasceu.
'Contemplando (o universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do criador, a criatividade inesgotável de Deus', disse o papa em sermão para 10 mil fiéis na Basílica de São Pedro.
Nos casos anteriores em que o papa falou sobre a evolução, ele raramente voltou atrás no tempo para discutir conceitos específicos como o do Big Bang, que cientistas acreditam tenha levado à formação do universo, cerca de 13,7 bilhões de anos atrás.
Pesquisadores do Cern, centro de pesquisas nucleares em Genebra, vêm esmagando prótons juntos em velocidade quase igual à da luz para simular as condições que, acreditam, teriam dado origem ao universo primordial, do qual terminaram por emergir as estrelas, os planetas e a vida na Terra --e possivelmente em outros lugares também.
Alguns ateus afirmam que a ciência pode provar que Deus não existe, mas Bento disse que algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto ... e não conseguem explicar a realidade última...".
O papa declarou que as teorias científicas sobre a origem e o desenvolvimento do universo e dos humanos, embora não entrem em conflito com a fé, deixam muitas perguntas sem resposta.
"Na beleza do mundo, em seu mistério, sua grandeza e sua racionalidade ... só podemos nos deixar ser guiados em direção a Deus, criador do céu e da terra", disse ele.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Uma carroça chamada igreja
...se levarmos em conta a velocidade das transformações que acontecem nas cidades, qualquer pastor, com sua teologia bíblica e sua experiência mística, se sente tão anacrônico quanto um jumentinho puxando uma carroça em plena avenida. segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Universidade em São Paulo quer ter o direito de ser homofóbica
Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia
O Salmo 1, juntamente com outras passagens da Bíblia, mostra que a ética da tradição judaico-cristã distingue entre comportamentos aceitáveis e não aceitáveis para o cristão. A nossa cultura está mais e mais permeada pelo relativismo moral e cada vez mais distante de referenciais que mostram o certo e o errado. Todavia, os cristãos se guiam pelos referenciais morais da Bíblia e não pelas mudanças de valores que ocorrem em todas as culturas.
Uma das questões que tem chamado a atenção do povo brasileiro é o projeto de lei em tramitação na Câmara que pretende tornar crime manifestações contrárias à homossexualidade. A Igreja Presbiteriana do Brasil, a Associada Vitalícia do Mackenzie, pronunciou-se recentemente sobre esse assunto. O pronunciamento afirma por um lado o respeito devido a todas as pessoas, independentemente de suas escolhas sexuais; por outro, afirma o direito da livre expressão, garantido pela Constituição, direito esse que será tolhido caso a chamada lei da homofobia seja aprovada. A Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo de natureza confessional, cristã e reformada, guia-se em sua ética pelos valores presbiterianos. O manifesto presbiteriano sobre a homofobia, reproduzido abaixo, serve de orientação à comunidade acadêmica, quanto ao que pensa a Associada Vitalícia sobre esse assunto:
“Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualismo é homofóbica, e que caracteriza como crime todas essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualismo como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.
Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “. . . desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11).
A Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.
Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reafirma seu direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo”.
Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie
Fonte: Blogdafolha, em 11 de novembro.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Brasileira evita roubo falando de Jesus
Nayara Gonçalves, de 20 anos, nunca tinha sido assaltada. Ela diz que ficou chateada ao saber que assaltante foi pego em outro roubo.
Giovana Sanchez
Do G1 Mundo, em 03/08/2010
Apenas quatro minutos depois de abrir a loja de celulares em que trabalha em Pompano Beach, na sexta-feira retrasada (23), a mineira Nayara Gonçaves viu um homem entrar todo vestido de preto. Ela percebeu que havia algo estranho, mas não conseguiu fechar a porta a tempo. Ele se aproximou do balcão, perguntou preços de aparelhos e logo mostrou uma arma, anunciando um assalto. Em vez de entregar de cara tudo o que tinha no caixa, Nayara decidiu conversar com o homem, e acabou convencendo ele a desistir do roubo.
"Percebi que ele não era má pessoa. [...] Ele disse que odiava ter que fazer aquilo, mas que precisava de todo o dinheiro que tinha no caixa. Eu disse: 'antes de fazer qualquer coisa eu quero te falar um pouco de Jesus'. Comecei a dizer que era evangélica e que esse não era o caminho certo. Ele ouviu, não apontou mais a arma pra mim e falou que precisava de US$ 300 para não ser despejado do apartamento em que morava", disse a brasileira de 20 anos em entrevista ao G1, por telefone.
O assaltante, depois identificado como Israel Camacho, de 37 anos, disse que Nayara estava certa e que não queria machucá-la. Ela ofereceu ajuda para ele arrumar um emprego, e ele disse que já tinha um trabalho, mas precisava do dinheiro imediatamente. "Jesus pode mudar a sua vida", ela disse. Já a caminho da porta, o assaltante olhou para a brasileira e mostrou a arma falando: "quer saber de uma coisa? Isso nem é de verdade, é uma arma de brinquedo."
Nayara nunca foi assaltada antes. Nascida em Mantena (MG), ela mora com a família nos EUA há cinco anos e é gerente da loja. "Fiquei muito nervosa, porque não sabia qual seria a reação dele. Meu chefe quando viu as imagens das câmeras de segurança disse que eu era louca, que devia ter entregado o dinheiro. A policial da delegacia me falou que nunca tinha visto algo assim."
A fala da brasileira pode ter poupado um assalto à loja em que trabalha, mas não impediu que o assaltante voltasse a roubar. Camacho foi preso no mesmo dia, após invadir uma loja de sapatos poucas horas depois da tentativa frustrada de levar dinheiro do estabelecimento onde Nayara trabalha. "Fiquei muito chateada quando soube. Achei que ele realmente tinha se arrependido, que eu tinha plantado uma semente em seu coração. Mas acho que agora ele vai repensar e ainda pode fazer um compromisso com Deus."
terça-feira, 22 de junho de 2010
Hino "Em Jesus amigo temos"
FICHA TÉCNICA:
Letra: Joseph Medlicott Scriven (1819-1886)
Música: Charles Crozat Converse (1832-1918)
Versão: Kate Stevens Crawford Taylor e Robert Hawkey Moreton
Refrão: Lucas Souza (1982-?) e Lúcio Souza (1988-?)
Lucas Souza – Voz principal e backs.
Lúcio Souza – Violão, piano elétrico, escaleta, e backs.
Jordan Macedo – Mixagem e masterização.
O Criador de todas as coisas – Chuva.
Gravado em nosso (Lucas e Lúcio Souza) home studio, utilizando uma interface Saffire LE e um microfone Neumann TLM 103.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Evangélicos paraguaios desaprovam medidas da Fifa contra expressão religiosa
Assunção, 8 jun (EFE).- A Associação de Pastores Evangélicos do Paraguai (Apep) expressou hoje sua desaprovação quanto às normas vigentes na Fifa sobre as proibições de manifestações religiosas e que também serão válidas na Copa do Mundo da África do Sul.
A Apep, que reúne quase 1.800 pastores evangélicos cristãos, informou em comunicado sobre sua postura "após receber correspondências e ligações telefônicas de diferentes países nas quais expressam a preocupação pela suposta proibição de orar durante o Mundial da África do Sul".
O documento menciona que "tal proibição é atribuída ao presidente da Fifa, Joseph Blatter", que, segundo o texto, "teria manifestado que a oração incentiva a violência".
A Apep sustenta "que a oração nunca foi motivo para incentivar a violência" e que a mesma "incentiva a amizade, a fraternidade, a unidade, a tolerância e a paz".
"Também recebemos a denúncia de que a Fifa proibiria, por exemplo, que um jogador mostre uma camisa com alguma inscrição relacionada a sua fé", diz outro parágrafo do comunicado.
"Isto também é inadmissível, porque atenta contra a liberdade religiosa e a liberdade de consciência, direitos consagrados em todas as Constituições Nacionais dos cinco continentes", afirma a Apep.
Finalmente, os pastores evangélicos paraguaios, cujo país participará pela quarta vez consecutiva de um Mundial, solicitaram "encarecidamente às autoridades da Fifa, no caso que as denúncias que fazemos sejam verídicas, que deixem sem efeito as supostas proibições da oração e expressão de fé durante" a competição. EFE
quinta-feira, 22 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Vaticano se distancia de declarações ligando a pedofilia à homossexualidade
Nota diz que autoridades não opinam sobre 'temas psicológicos'.
Da France Presse, G1 em 14/04/2010.
O Vaticano se distanciou das controversas declarações do número dois da Santa Sé, cardeal Tarcisio Bertone, que estabeleceu vínculos entre a homossexualidade e a pedofilia.
"As autoridades eclesiásticas consideram que não são competentes sobre temas de caráter médico e psicológico e assinalam os estudos especializados e as investigações em curso sobre o tema", afirma uma nota divulgada pelo porta-voz do Papa, padre Federico Lombardi.
Bertone, secretário de Estado do Vaticano, disse na segunda-feira (12), durante uma visita a Santiago do Chile, que a Santa Sé tomará novas iniciativas supreendentes contra a pedofilia.
O cardeal afirmou que a pedofilia entre os sacerdotes tem mais a ver com a homossexualidade do que com o celibato.
"Muitos psicólogos, muitos psiquiatras, demonstraram que não há relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros comprovaram, e me disseram recentemente, que há relação entre a homossexualidade e a pedofilia. Isto é verdade, este é o problema", disse Bertone em uma coletiva de imprensa em Santiago.
Repercussão
As declarações causaram enérgicos protestos. A França condenou o "amálgama inaceitável" entre pedofilia e homossexualidade feito por Bertone.
"É um amálgama inaceitável que condenamos", afirmou o porta-voz da chancelaria francesa, Bernard Valero, ao ser indagado sobre a posição da França a respeito das declarações.
Autoridades, médicos e movimentos de defesa de grupos homossexuais no Chile pediram a Bertone que prove as ligações da homossexualidade com a pedofilia.
"Eu não tenho essa opinião, gostaria de conhecer os estudos científicos que ele diz ter. Tenho uma grande estima pelo Cardeal Bertone, mas tenho a sensação que neste caso ele está equivocado", afirmou o senador democrata-cristão Patricio Walker.
O líder do Movimento de Integração e Libertação Homossexual (Movilh), Rolando Jiménez, também exigiu que o cardeal mostrasse provas que justifiquem as afirmações.
Especialistas médicos também descartaram a ideia. "Não me parece possível pensar que haja uma relação direta entre a homossexualidade e a pedofilia", disse a professora da Universidade do Chile Tamara Galleguillos.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Secretário de Estado do Vaticano liga casos de pedofilia ao homossexualismo
Ministro afirma que o celibato não seria razão para origem dos escândalos.
Tarcisio Bertone diz que papa anunciará iniciativas 'surpreendentes'.
Da Reuters
O Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone afirmou nesta segunda-feira que é o homossexualismo, e não o celibato, que deve ser relacionados à pedofilia, em uma alusão aos inúmeros escândalos envolvendo sacerdotes na Europa e nos Estados Unidos.
Bertoni, que está em meio a uma viagem ao Chile, afirmou que o papa Bento XVI “logo tomará novas e surpreendentes iniciativas em relação aos casos de abuso sexual”, sem dar maiores detalhes.
“Diversos psicólogos e psiquiatras já declararam que não há relação entre o celibato e a pedofilia, enquanto muitos outros disseram, pelo que fui recentemente informado, que há a relação entre pedofilia e homossexualismo”, afirmou o ministr (sic) em uma entrevista coletiva.
"Essa patologia toca todas as categorias da atividade humana, e os padres em uma proporção menor”, afirmou. "O comportamento desses padres, nesses casos, é muito sério, é escandaloso."
A visita de Bertone ao país sul-americano coincide com um período em que a Igreja Católica tem sido assolada por diversos escândalos envolvendo abusos sexuais de crianças - a maior parte de meninos – por padres. Além dessas denúncias, há também acusações de que a instituição religiosa teria se silenciado em relação a alguns desses casos – envolvendo até mesmo o papa antes de ser escolhido para substituir Joção (sic) Paulo II em 2005.
Vaticano perdoa os Beatles por mensagens satânicas
RIO - Em um momento em que a igreja Católica passa por uma grave crise, o Vaticano publicou, em seu jornal oficial, uma declaração sobre os Beatles, elogiando sua música e desconsiderando os anos de uso de drogas e outros excessos de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, o L'Osservatore Romano afirma em sua primeira página que a banda "achava que era maior que Jesus e divulgou mensagens misteriosas, possivelmente satânicas", mas também pergunta: "O que seria da música pop sem os Beatles?"
O artigo chegou quatro décadas depois de John Lennon desafiar a igreja Católica dizendo que os Beatles eram "mais populares que Jesus" e sugerindo que o cristianismo estava morrendo como instituição.
O jornal ofereceu seu perdão por essas palavras em um artigo de 2008, quando atribuiu os comentários de Lennon ao "exibicionismo de um jovem músico inglês que creceu sob o mito de Elvis Presley e do rock and roll e que obteve um sucesso inesperado".
A publicação do artigo pode fazer parte de uma estratégia para tirar o foco dos crescentes casos de abuso sexual dentro da instituição. Na sua última edição, o L'Osservatore Romano falou sobre a polêmica, afirmando que o Papa tem apoio internacional.
domingo, 11 de abril de 2010
Alemães perdem confiança na Igreja Católica, mostra pesquisa
Dom, 11 Abr, Yahoo! Notícias
BERLIM (Reuters) - A maioria dos alemães não confia na Igreja Católica, e um quarto dos católicos do país pensa em deixar a instituição após os escândalos de abuso sexual, mostrou uma pesquisa de opinião.
A pesquisa, a ser publicada na revista Focus na segunda-feira, apurou que 56 por cento dos alemães não confia na Igreja após informações de centenas de casos de abuso sexual e de acobertamento por clérigos.
Somente 18 por cento dos alemães têm fé na Igreja, mostrou a pesquisa feita pela Focus com 613 pessoas. Entre os católicos, 26 por cento disseram que pensam em sair da Igreja, o que na Alemanha é uma decisão formal e tem consequências sobre o imposto de renda.
Uma pesquisa semelhante feita em março pela revista Stern mostrou que 19 por cento dos católicos alemães pensavam em deixar a Igreja. Milhares deixaram a Igreja no mês passado.
Um disque-denúncia apresentado na semana passada por Stephan Ackermann, bispo de Trier e especialista da Igreja nos casos de abuso, foi inundado com 12.293 ligações e ficou brevemente fora do ar. Apenas 2.670 ligações puderam ser respondidas.
(Reportagem de Erik Kirschbaum)
quinta-feira, 18 de março de 2010
'A Bíblia é uma arma', prega Denzel Washington
Ator está em 'O livro de Eli', que estreia nesta sexta-feira no Brasil.
Em entrevista, ele fala sobre o filme e os riscos do fanatismo religioso.
Paoula Abou-Jaoude Do G1, em Los Angeles
O ator Denzel Washington, em cena de 'O livro de Eli' (Foto: Divulgação)
Na história, Washington interpreta um tipo solitário que está disposto a tudo para proteger um livro sagrado que guarda segredos supostamente capazes de salvar a humanidade em um cenário pós-apocalíptico.
Leia a resenha de 'O livro de Eli'
Cristão adepto da Church of God in Christ, popular igreja pentecostal afro-americana, o ator conversou com jornalistas em Los Angeles sobre o filme, e o G1 participou da entrevista. Leia a seguir os principais trechos.
Pergunta - O que te atraiu em “O livro de Eli”?
Denzel Washington - Meu filho gostava muito da história e acabou me convencendo a fazer o filme. Era um bom roteiro. Não apenas mais um filme de ação, “O livro de Eli” tem conteúdo, tem uma mensagem. É o bem contra o mal. São vários fatores do mundo espiritual. ,E pensando bem, ele me convenceu a fazer “Dia de treinamento” e “O gangster”, então acho que acertamos 3 de 3 (risos).
Pergunta - No filme, a Bíblia é tratada ora como uma ferramenta de ajuda à humanidade ora como uma ferramenta para se ter mais poder. Como analisa esta mensagem?
Washington - Sabe, sei que isso vai soar estranho, mas a Bíblia é como uma arma. Se ficar aí, em cima de uma mesa, nunca vai machucar ninguém. É uma questão de como você vai usá-la. E isso não se aplica apenas à Bíblia, mas também às palavras. Mas neste caso é interessante porque Eli escuta essa voz que lhe diz para levar a mensagem da Bíblia pelo país, por uma boa causa. Mas ele é o homem mais violento do filme. Quando ele chega numa encruzilhada que o leva a esta cidade onde tem que lidar com um homem cruel, ele precisa também lidar com sua própria humanidade.
Pergunta - Já o personagem de Gary Oldman, Carnegie, tem uma outra visão da Bíblia.
Washington - Carnegie obviamente só está procurando uma maneira de manipular a verdade. E nós conhecemos bem essa história, nem sequer precisamos da Bíblia para isso, basta assistir à televisao. Cada lado tentando convencer que tem razão e para isso vivem enchendo a sua cabeça com informação o dia todo. Por isso, que para mim, Deus e estes ótimos livros são espiritualidade. Religião é quando o homem se apodera de um deles e diz o meu está certo e o seu errado. Mas assim é o ser humano. É a nossa falha, uma falha fatal.
Pergunta - Você sabe citar a Bíblia?
Washington - Não sou tão bom assim para citar a Bíblia como sou para parafraseá-la (risos). Mas estou aprendendo mais e mais. É a terceira vez que faço a leitura da Bíblia, mas só leio um capítulo por dia, então demora um tempão. Tenho também um livro de estudos que antes de cada capítulo ajuda a entender o contexto, a época na qual a história se passou. Por exemplo, no caso do Novo Testamento, o livro explica o que estava acontecendo em Roma, ou com Cesar etc. É muito bom.
Pergunta - O que aprendeu com essas leituras?
Washington - Antes das refeições a gente sempre abençoa e agracede pela comida, fala uma prece e encerra com amém. ‘Deus é amor’. Eu achava que ‘Deus é amor’ era uma só palavra, por ser algo que você recita a toda hora, rapidamente, de maneira quase automática. Aos poucos, durante estes anos, fui aprendendo a recitá-las mais lentamente e percebi que são três palavras. Deus. É. Amor. Independente de qual a sua religião ou livro que esteja lendo, acho que esta é uma lição que ainda estamos aprendendo como pessoas, como raça. Não significa que meu Deus é amor, e o seu não. E aqui vou parafraseando de novo (risos): ‘Faça aos outros o que gostaria que fizessem a você’. Essa é a mensagem fundamental de todas as religiões, mas, de alguma maneira, nós distorcemos isso.
Pergunta - O que motiva Eli é a sua fé. No seu caso, o que mais te motiva?
Washington - Também a minha fé. E a minha familia. Tenho muito prazer em ver meus filhos crescerem. E também o meu trabalho. Estou começando a ensaiar para esta excelente peça americana, ‘Fences’, na Broadway, com a atriz Viola Davis, e nem sequer durmo à noite só pensando e trabalhando nisso. É de um vencedor do prêmio Pulitzer, escrita por August Wilson, e foi encenada em 1987, rendendo um prêmio Tony ao James Earl Jones. Como ator, gosto de desafios como esse e como o do filme ‘O livro de Eli’.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Mandinga espiritual em nome da prosperidade
Infelizmente, somos jogados na vala comum dos aproveitadores, mercantilistas de promessas e abnegados em faturar com a fé.
Tive o desprazer de assistir a uma pregação de um clone de um famoso pastor pentecostal do Brasil em um congresso em Minas Gerais, numa cidade próxima de Belo Horizonte, com um conteúdo bíblico duvidoso, baseado em uma exegese pessoal da entrada triunfal do Mestre em Jerusalém; recheada de jargões popularescos a ponto de imitar com a voz um cavalo do rei Herodes conversando com o de José de Arimatéia por causa do "sucesso" de um jumento.
Um contador de histórias em nome do evangelho e de um “ministério de sucesso", como ele mesmo fez questão de afirmar em alto da sua arrogância e sua autosucifiência, crendo ele erroneamente que sucesso na terra garante lugar na Nova Jerusalém.
Como estamos em tempos de alta tecnologia de um mundo globalizado, o clone profetizou "revelações" para os que portavam aparelhos celulares no auditório, ao esbravejar a todos que levantassem os seus celulares para receber a profecia da prosperidade em 40 dias.
Ele imitou o célebre pregador com perfeição, na entonação da voz, na alternância entre voz pausada e acelerada, na gesticulação e aquelas frases de efeito: "Levanta o dedo profeta"; "Crente tem de cuspir fogo"; "Se você crê nisso levanta a mão"; "Se você ficar de boca fechada vai voltar mais vazio"; "Enche, enche, enche..."; "Quem quer se cheio?".
O caráter teatral da sua pregação abundante em gestos e berros, mas pobre em palavras das Santas Escrituras.
Ele é mais um desses pregadores que escolheram "viver da fé".
É um pregador itinerante que parece sobreviver da venda de seus DVD´s, pois os ofereceu insistentemente no fim da sua apresentação, fazendo questão de pedir mais três minutos ao organizador do evento para falar um monte de baboseiras com o firme objetivo de manipular os presentes e garantir um pouco mais de faturamento para o seu bolso, permitindo-o notebook vaio da Sony, anéis, roupas da moda e seus altos cachês para pregar.
Foi triste assistir a manipulação, quase histérica, da venda de 12 pacotes de DVD`s pela bagatela de R$ 100,00 com pagamento em cheques pré-datados para 120 dias e (pasmem!) que neste período os “sortudos” seriam alvo de oração incessante por parte do clone.
E, ainda, termina o pedido dizendo o seguinte: “São apenas 12 famílias as escolhidas, apesar de eu ter 40 pacotes de DVD`s no hotel, foram determinados que divulgasse apenas esses 12 para 12 famílias”.
Pasmem, mas é verdade!
Uma espécie de mandinga espiritual com capa gospel do "ministério reteté".
Qual a diferença da oferta extorquida pela manipulacão do povo sofrido nos dias atuais para a venda das indulgências da idade média?
Atrelar o milagre da benção ao pagamento de R$ 120,00 no mínimo fere os princípios da moral e da decência.
Isso é de deixar qualquer cristão convicto indignado.
Saímos da graça com um esquema desses.
Não é preciso muito conhecimento bíblico para concluir que isso não passa de uma baita “cara-de-pauzice”.
Usar o evangelho para arrecadar dinheiro é de uma sordidez sem tamanho.
Provas de que não há limites para a criação de novas heresias e absurdos perpetrados em nome da teologia da prosperidade.
Quando você pensa que já havia visto de tudo dentro do meio religioso, aí aparece mais uma dessas e, pelo jeito, vai continuar aparecendo até a consumação dos tempos, conforme as palavras escatológicas da Bíblia.
Então, temos que “vigiar e orar”...
Orar para que Deus nos desafie a manter firme o nosso compromisso com a “Eclésia reformata, semper reformanda", a responsabilidade de continuamente caminharmos segundo a Palavra, sem nos deixarmos levar por ventos de doutrinas e movimentos que tentam transformar a igreja em um circo eclesiástico de interesses financeiros.
Postado por Professor Adilson Neves.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Como pagar o dízimo se tornou uma forma de exercer a fé
Por que os fiéis pagam o dízimo para demonstrar sua fé?
Seg, 15 Jun, 02h46
Por Pedro Jansen/ Especial para o Yahoo! Brasil
Na Wikipedia brasileira, espécie de Enciclopedia Barsa colaborativa - mas de segundo escalão - o
Na Desciclopédia, compêndio sarcástico-humorístico organizado de maneira semelhante à Wikipedia, o
Y! Respostas: O que você acha do dízimo?
As duas definições, embora imprecisas (uma, obviamente, mais que a outra), ajudam a compor o senso comum que a população cristã brasileira deve ter a respeito da colaboração voluntária, da taxa obrigatória, da décima parte do salário, a ser entregue para a Igreja. São muitas as palavras que podem construir ou desfazer algo que é visto como uma obrigação cujo cumprimento é vantajoso, já que garantirá benesses, mas pouco se sabe realmente a respeito desta palavra que está em uso desde muito antes de Cristo, e o cristianismo, nascerem.

Sim, é verdade. A contribuição que você dá hoje para a sua igreja já existe desde Abraão, o homem que fundamentou o surgimento do Judaísmo, do Cristianismo e do Islamismo. Mas quando as doze tribos israelitas - os primórdios das religiões judaicas - foram libertas da escravidão imposta pelos egípcios, cerca de quatro séculos depois das primeiras doações, o dízimo aparece "reutilizado" para manter a tribo de Levi, que fora escolhida para se dedicar ao sacerdócio e, assim, estava impossibilitada de receber terra como herança.
Esse caráter de "ajuda" que o dízimo assumiu neste momento não impediu que a tribo ligada à profissão de fé também fizesse suas doações e possibilitou que viúvas e órfãos das tribos pudessem se manter. E este, caro leitor, era apenas o início do uso do dízimo. Séculos depois, ele se tornou um misto de colaboração e obrigação, seja por má compreensão da palavra de Deus pelos fiéis, seja por um desvio no discurso dos sacerdotes.
Para onde o seu dinheiro vai
Se estou escrevendo para uma das maiorias da população brasileira, os católicos - de acordo com o último censo do IBGE, de 2000, são quase 125 milhões de praticantes - a fábula a seguir fará sentido. Diz-se que um padre experiente chegou a uma comunidade do interior e, vendo que os habitantes do lugar não ligavam para a Igreja, não doavam o dízimo e decretavam que a Igreja havia morrido por aquelas bandas, decidiu mostrar quem estava sendo enterrado de verdade. Assim, convocou a comunidade para o enterro da Igreja e, convidando os presentes a mirarem o fundo do caixão que representava o velório da Instituição, os fazia encarar seu próprio reflexo vindo do espelho colocado ali estrategicamente. De autoria desconhecida, a fábula mostra mais do que se pensa.
"Por que dar o dízimo? Porque Ele [Deus] sustenta a vida de modo que nada falte ao dizimista. É um princípio de fé, e o cristão passa a entender que, por meio de seu dízimo, ele próprio coopera para a legítima pregação do Evangelho", defende o professor Wilson. Traduzindo as palavras anteriores, além de ser o fecho do ciclo de "me ajude que eu te ajudo", o dízimo é a forma legítima que se encontrou para garantir que a estrutura da Igreja seja mantida sem sustos. Ou como diz o padre Jerônimo Gasques em seu livro "Dízimo e Captação de Recursos - Desafio às Comunidades do Século 21", "o dízimo deve provocar um impacto naqueles que optam por essa alternativa, que, por sinal, deveria ser a única e exclusiva da comunidade cristã. [...] Todas as necessidades da comunidade devem ser supridas pelo dízimo".
E o que deve ser compreendido como necessidades da comunidade? Essa é uma dúvida que, mesmo respondida pelo professor Wilson e pelo padre Jerônimo, é simples de ser elucidada. Pense bem, que coisas precisam ser mantidas dentro da sua casa ou dentro da empresa em que você trabalha? O pagamento de funcionários, a manutenção da estrutura, a reposição dos itens de limpeza básicos, impostos... tudo isso custa dinheiro, como bem sabem você e seu patrão. "Cada grupo evangélico tem sua própria destinação dos dízimos. Por força estatutária cada igreja local deve ter uma diretoria, e uma tesouraria que administra todas as receitas e despesas. Geralmente as igrejas cristãs históricas são muito zelosas quanto à questão da prestação de contas, mas não é possível afirmar que todas tenham essa prática.", afirma o professor Wilson.
Essa prestação de contas, no entanto, dá pintas de ser apenas mais uma parte do processo. Os caminhos que o dinheiro do dízimo pode fazer não aparentam ser parte das preocupações dos fieis, pelo menos aqueles que entrevistamos.
"O Pastor é um funcionário como qualquer outro e tem seu salário. O dinheiro do dízimo não passa pela mão dele, mas é controlado pelo tesoureiro. Se eu soubesse que o dinheiro estava sendo mal utilizado, ou até mesmo roubado por alguém, eu poderia até mudar de igreja, mas não deixaria de dizimar. Eu vou cumprir a minha parte e fazer o que Deus mandou que eu fizesse. Ele que acerte as contas com Deus depois sobre o que está roubando.", diz o fiel Josnaldo Paes da Silva, analista de suporte de 38 anos. O pensamento dele, batista desde que nasceu por influência de sua família, também evangélica, é compartilhado por Grasyela Pereira Trindade, hoje fiel à Bola de Neve Church mas que nasceu dentro da Assembléia de Deus.
"Me sentiria muito mal se soubesse [que o dinheiro do dízimo está sendo mal investido], mas não entrego com essa crença. Entrego nas mãos de Deus e peço que ele toque o coração das pessoas. Mas eu não tenho certeza, tenho ciência de que pode não ser usado, não dá mais para acreditar no ser humano". Grasy veio fugida do Paraná para São Paulo para estudar teatro e achou na Bola de Neve Church um abrigo.
Quem vigia os dizimistas?
É para oferecer este controle que o iDizimo foi criado. Esqueça a péssima frase de efeito anterior e se atenha ao seguinte: todo o serviço administrativo antes feito à mão agora pode ser substituído por uma ferramenta desenvolvida por Márcio Rubio da Rocha, ainda na faculdade de Sistemas de Informação, na qual se formou. A idéia do software que controla e organiza as entradas e saídas das doações surgiu de uma atividade exigida em uma disciplina do curso de Márcio. "Meu professor pediu para que desenvolvêssemos uma ferramenta e como sempre fui muito ligado à Igreja, pensei em como ajudar minha paróquia", diz o diretor executivo da iDizimo.
Presente em trinta paróquias espalhadas por São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo, o software não exige instalação, pode ser gerenciado de qualquer computador com acesso à internet e oferece à paróquia dados completos, relatórios e gráficos da verba arrecadada. "Cobramos R$ 67 pelo uso e pela manutenção do serviço e já estamos com paróquias testando o iDizimo no Maranhão e na Paraíba".
Essa facilidade, no entanto, ainda é privilégio dos católicos. "O sistema iDizimo.com está restrito à Igreja Católica. Outras Igrejas não-católicas já vieram procurar sim nosso sistema, porém estamos em fase de desenvolvimento, pois para outras igrejas não-católicas não deve aparecer em nenhum momento referências sobre o Vaticano, Igreja Católica", explica João Chaves, diretor de desenvolvimento da empresa.
Essa organização e controle de gastos e receita pode parecer próxima demais do sistema de empresa "capitalista-selvagem", mas é apenas a justa e necessária adaptação. Donas de uma história que as transformam em instituições sem fins lucrativos, as Igrejas como um todo estão inseridas no terceiro setor, mas por causa dos compromissos junto à sociedade organizada, precisam se apoiar em pilares do segundo setor.

"O que normalmente encontraram com excelência no segundo setor? Planejamento, objetividade, orçamento, análise, profissionalimo e paixão", aponta o Padre Jerônimo Gasques. O que o sacerdote quis dizer? Bom, que mesmo que seja iminentemente parte do terceiro setor, o mundo moderno fez com que a Igreja se visse, financeiramente, como uma empresa, não no sentido do lucro, mas sim no sentido da necessidade de organização para evitar a falência. "A comunidade cristã não vai ao dízimo como mera forma de se captar recursos. Mostra a todos que levantar recursos não é um mal necessário, mas parte da atividade de sua organização. É uma oportunidade de receber benefícios daqueles que investem na sua visão, como também de fazê-los sentirem-se realizados por cumprirem sua missão neste mundo", explica.
O livro do sacerdote, editado este ano pela editora Paulus, quer responder para comunidade e sacerdotes a seguinte pergunta: como fazer para que o dízimo seja considerado "a" fonte de renda da Igreja? Mesmo que escrito para a comunidade católica, o livro apresenta argumentos que servem para todas as religiões que fazem a captação do dízimo.
Mas qual o jeito mais interessante de fazê-lo? "Historicamente o povo israelita poderia dizimar suas colheitas, seu gado, ou seja, o fruto de seu trabalho em espécie", explica Wilson. "É possível que haja alguns lugares onde essa forma de contribuição seja feita. A forma de captação se moderniza. Há igrejas que recebem em espécie, outras, mais modernizadas, que recebem por boleto ou depósito bancário, ou por cartão de débito, etc. A criatividade é imensa". Sim, há todas estas formas de pagar o dízimo, ou dizimar, como dizem alguns evangélicos. Assim como a Igreja evoluiu para um tipo de instituição organizada sem fins lucrativos, nada mais pertinente das formas de pagamento evoluírem também.
Fonte: Yahoo! Notícias.quinta-feira, 4 de junho de 2009
Novas igrejas viram abrigos de diferentes estilos
Fotos por Jucélio Jr e Otávio AlmeidaToco a campainha e abrem o portão. Às quartas-feiras, a partir das 20h30, ele fica aberto, sem necessidade de tranca. Mario Mansho recebe os amigos em casa. É a reunião de uma 'célula' dos membros da Bola de Neve Church. Reúnem-se para cantar, estudar a Bíblia e compartilhar os problemas e alegrias. Problemas que levaram a família Mansho à igreja.
Caio, filho de Mario, começou a se envolver com drogas, aos 15 anos. Assumiu também uma hostilidade que levou o pai a procurar o padre da paróquia que frequentava. Nunca recebeu uma visita sequer, nem houve intenção de ajudá-lo. O primo de Caio já frequentava a Bola de Neve e um dia, acompanhado pelo apóstolo Rina, líder da igreja evangélica, passou na casa do tio, para uma visita. Rina soube da história de Caio e perguntou se podia entrar, para orar pelo garoto e conversar com ele. Convidou a família Mansho a visitar a igreja que, aos poucos, foi se sentindo acolhida na comunidade.

Mario conta que era católico ferrenho e não vê problema em alguém frequentar as missas, mas se decepcionou quando precisou das pessoas fora da paróquia. Ele conta, com lágrima nos olhos, como passava em frente ao quarto de Caio, ouvia xingamentos e um "Eu te odeio" no final. Mario apenas respondia: "Eu te amo".
"Eu te amo", foi o que o Pastor Batista disse à Ana Batista (sem parentesco), antes dele iniciar o show da banda na qual é o líder, a Antidemon. Ele não a conhecia, mas acabou cruzando com ela sem querer e sentiu que devia dizer aquilo, o que não é comum fazer, com pessoas desconhecidas.
Ana, na época, era conhecida pelos amigos como Sinistra, uma anarco-punk revoltada com a sociedade. Naquela noite, saiu de casa com um machado e um soco inglês, decidida a matar o Pr. Batista. Caso não conseguisse o feito, garantiu que pelo menos ele não andaria mais pelo resto da vida. O ministério de Batista com pessoas que ouvem death metal (gênero tocado pela Antidemon), heavy metal, punk rock, entre outros, alcançou os amigos de Sinistra. Eles passaram a frequentar os cultos e eventos com o pastor, agora jurado de morte. Sinistra chegou ao galpão do show procurando por ele e não soube que o "Eu te amo" vinha justamente de seu procurado.
Desde os sete anos que ela não ouvia essas palavras e, na hora em que soube que havia ouvido-as de quem queria acertar com um machado, ele já estava no palco. Aquele show mudou a vida de Sinistra. O choque no momento foi tão grande, que ela não conseguia se mexer. Teve de ser carregada até o pé do palco, quando Batista chamou à frente aqueles que tinham o desejo de orar com ele, entregando suas vidas a Jesus. Sinistra, deixou de lado o machado, o soco inglês e o codinome para se tornar a diaconisa Ana Batista, auxiliar no ministério da igreja Crash Church, onde o Pr. Batista é líder.
No domingo em que visitei a Crash, havia aproximadamente 30 pessoas. Não chegavam a cinco as que estavam com camisetas claras ou coloridas (incluindo a minha verde). No palco, heavy metal. De repente, quase no final do culto, me surpreendo com um reggae. Logo, o som vira ska e daí para um punk rock é um pulo. Os membros vão para perto do palco e pulam junto com o Pr. Batista. Parece que estão em casa, com a família e irmãos.
Esse também é o sentimento percebido na Bola de Neve. A igreja é conhecida pelo perfil que abriga em seus cultos: jovens e praticantes de esportes radicais - principalmente o surf. Apesar disso, há diversas pessoas que passaram da meia-idade.
A Bola de Neve é irmã da Crash Church. As duas nasceram dentro da Renascer em Cristo, como um grupo que se diferenciava e não encontrava mais um espaço para si. Batista conta que em 1998 as pessoas começaram a olhar estranho para ele e os amigos que frequentavam a igreja, ocupando diversos bancos e todos vestidos de preto. Era algo que impactava e o Pr. Batista detalha a história sem nenhum pingo de ressentimento ou mágoa. "Hoje entendo que algumas pessoas não conseguiam assimilar aquilo muito bem. Não posso reclamar, pois se não fosse esse fato, não teríamos esse belo ministério".
Bruna Suruagy, psicóloga, fez sua tese de mestrado baseada em comportamentos dos jovens na Bola de Neve. Descobriu que a procura por igrejas assim acontece não apenas por identificação, mas pelo sentimento de pertencer àquele grupo. Inicialmente, a idéia era estudar os relacionamentos afetivos entre eles, mas automaticamente acabou caindo na questão da sexualidade, algo que aconteceu por conta dos próprios jovens.
Ao mesmo tempo em que o discurso parece ser liberal e flexível, há uma cobrança rígida sobre o comportamento dos jovens. São eles que expõem esse sentimento nas entrevistas que Bruna fez. Ela explica que isso está atrelado ao fato da própria igreja viver esse paradoxo: acaba passando uma imagem de liberal, o que faz com que diversas pessoas os procurem por causa disso. No entanto, são histórias de ex-drogados, ex-prostitutas e membros que tiveram uma vida sem muitos limites, o que acaba sendo um equilíbrio para eles, ao encontrarem um local com regras bem definidas. Com isso, a igreja passa uma mensagem às outras de não ser aquele 'oba-oba' que alguns pensam existir.
Os ritos tradicionais, como o dízimo e a ceia, são elementos presentes nessas novas igrejas. Novas, pois algumas protestantes contam com mais de 100 anos de história. Para Bruna, a grande diferença entre as igrejas mais novas e as tradicionais é que as mais novas, por causa de seu discurso liberal, parecem pregar uma não-ruptura com as práticas dos membros. À primeira vista, ele não precisa abrir mão de nada para comungar. Porém, o cenário muda quando tornam-se membros e percebem que essa liberalidade é mais no discurso, já que a igreja conta com rígidos códigos de conduta. Nem sempre são explicitados ou colocados no papel, mas a cobrança é sentida, como observou Bruna em suas pesquisas. Já nas igrejas tradicionais, há uma ênfase muito forte na mudança de vida, antes mesmo da pessoa tornar-se parte integrante da comunidade. Com isso, muitos nem chegam a experimentar a igreja.
Bruna explica que a cobrança nas novas igrejas para uma mudança de vida existe e é muito sutil. "A liberalidade, muitas vezes, esconde uma austeridade. A censura não aparece como uma imposição, mas como um comportamento deliberadamente assumido por seus membros", afirma com base em suas pesquisas. Ou seja, a cobrança é forte e real. Mas do jeito que é pregada, o membro da igreja acaba achando que aquilo é simplesmente algo que ele decidiu. "Muitos chegavam me dizendo que algumas vezes o código era muito rígido sim, mas que eles só aceitavam-no porque concordavam", conta Bruna. Ela afirma que existem sim casos onde a pessoa pode assumir aquilo como parte de si, mas o discurso, muitas vezes contraditório, entregava o que estava por trás daquele discurso.
Além disso, por ser uma igreja muito ligada aos esportes, a saúde é valorizada e o corpo saudável, como corpo bonito, também. Ou seja, a liberalização do corpo anda ao lado da repressão do desejo. A confusão na mente jovem está armada. Apesar disso, os laços construídos são absolutamente sólidos e eficazes, o que muitas vezes inibe algum membro em contrariar uma norma, sabendo que perderá aquilo que de mais valioso encontrou: abrigo.
Fonte: Yahoo! Notícias.segunda-feira, 1 de junho de 2009
A atuação dos luteranos no Rio Grande do Sul
Nesta semana, o Jornal Nacional apresentou uma série especial de reportagens sobre a ação social de algumas das dezenas de igrejas evangélicas presentes no Brasil.
Nesta sexta (29/05), na reportagem que encerra a série, Flávio Fachel e William Torgano mostram a atuação dos luteranos no Rio Grande do Sul com descendentes de europeus, de negros, escravos e de índios guaranis.
Uma bênção que ecoa há 15 décadas numa região de pequenas propriedades em São Lourenço do Sul, a 200 quilômetros de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Eles são descendentes dos pomeranos, povo agricultor que vivia da própria terra na Europa, na região onde agora é a Alemanha.
Hoje, a lavoura no Brasil multiplica sorrisos. Mas nem sempre foi assim. A mesma terra que hoje vê prosperidade já foi testemunha de um modo de produção que empurrou os descendentes dos imigrantes para uma situação de dependência.
Durante quatro gerações, eles plantaram para patrões, venderam para atravessadores, perderam a relação de liberdade que tinham com a terra.
saiba mais
Veja como entrar em contato com os projetos sociais apresentados na série 'Os Evangélicos'
Hoje, 150 anos depois, a fé que os acompanhou nos barcos das grandes travessias do Atlântico, e que nunca foi esquecida, conseguiu começar a mudar essa história.
Uma chegada cheia de esperança nas promessas de terra farta e de felicidade. Nas malas, carregavam o pouco que tinham. Nos corações, traziam uma fé incomum no Evangelho e na Igreja Luterana.
“As primeiras igrejas que chegaram ao Brasil são igrejas que vieram a partir de grupos étnicos que foram trazidos para ocupar o lugar dos escravos. Esses grupos trazem suas crenças, criam as suas comunidades e as igrejas começam a se desenvolver”, explicou Maria das Dores Machado, socióloga da UFRJ.
A Igreja Luterana surgiu no século XVI, na Europa. Chegou ao Brasil com os pomeranos em 1824. Hoje já são 1 milhão de fiéis em todo o país.
Sua principal característica é acreditar que a salvação vem apenas pela fé e não como resultado de obras e boas ações. Mas isso não impede a forte ação social da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Rio Grande do Sul.
“A missão desse serviço foi exatamente de resgatar essa fé e uma fé tem que se articular com a vida das pessoas que se concretiza no jeito de se relacionar com a natureza”, disse Ellemar Wojahn, coordenador da IECLB.
Com o Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor, a igreja, de certa forma, devolveu aos fiéis a capacidade que os antepassados perderam: de sobreviver da terra sem depender de ninguém.
“Foi Deus que fez a natureza, foi Deus que fez em seis dias, no sétimo descansou e a deixou para nós para trabalhar e ganhar o nosso sustento”m (sic) afirmou o agricultor Romil Mühlenberg.
Seu Romil vive na terra que já foi de seu pai, do avô e do bisavô. Nunca abandonou a leitura da Bíblia. Na lavoura, o resultado do que está aprendendo com os irmãos luteranos: uma nova forma de produzir, sem agrotóxico. “Se não fosse a igreja, a gente não estava nessa da agroecologia”.
E a produção é vendida direto para o consumidor, na Feira dos Luteranos, no Centro de Pelotas.
Vantagem? O lucro de cada um não é dividido com mais ninguém. Mas o ganho maior para todos eles vem na esperança de ver a família continuar unida na fé e na terra dos antepassados.
“Agora eu sinto orgulho muito grande de estar na lavoura com meus filhos acompanhando. Eu acredito que daqui a 50 anos os meus netos estarão trabalhando aí”, projeta Seu Romil.
“A igreja tem essa pretensão de criar condições para que as famílias tenham possibilidade de ter renda e uma vida digna no meio rural”.
E ainda sobra para ajudar a quem precisa. Depois do culto, moradores pobres da região recebem cestas de alimentos doados pelos agricultores luteranos. “É uma sensação de que Deus está sempre com a gente apoiando, ajudando”, disse a desempregada Santa Janete Maia.
Estar com quem precisa. Os fiéis da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Rio Grande do Sul decidiram também estender a mão para mais gente que depende da terra no estado.
Descendentes de escravos, esquecidos nos quilombos, e os índios guaranis que, depois de perderem as terras, viraram mendigos de beira de estrada. Entre duas comunidades tão diferentes, muitas semelhanças.
“O Brasil tem uma dívida social e a igreja também tem uma dívida social com essas populações tradicionais que foram excluídas e marginalizadas que não têm lugar ainda hoje na sociedade”.
Preocupados com o mais básico – sobreviver – índios e quilombolas foram deixando os costumes para trás. Agora, os luteranos ajudam essas pessoas a se reencontrar com a própria cultura.
Estimulando os mais velhos a ensinar o que sabem aos mais novos. Assentados na reserva, os índios tiveram sorte. Podem agora ensinar às crianças guaranis que seu povo vive da terra. E que apesar do que sofreram com os brancos, continuam de braços abertos a quem quiser vir ajudar.
"Somos da tribo Tekoaporã e convidamos você a nos visitar", cantam os pequenos guaranis.
Uma lição de amor e solidariedade. “Jesus não perguntou se era difícil, onde estava, como é que era, que cor que tinha. Foi buscar e a gente tem que seguir esse exemplo, estar permanentemente nessa busca da ovelha perdida”, , (sic) declarou Rita Sorita, coordenadora da Igreja.
Na reportagem de quinta, nós mostramos o trabalho dos batistas com crianças que foram afastadas dos pais pela Justiça e também apresentamos o trecho de uma entrevista com a socióloga Maria das Dores Machado.
Ela observou que a doutrina pentecostal enfatiza a capacidade do indivíduo de desenvolver o dom do Espírito Santo. Só que nós mostramos esse trecho logo depois de explicar as origens da Igreja Batista e aí ficou parecendo que a Igreja Batista seria pentecostal.
Mas isso não é verdade. A socióloga se referia a outras igrejas. Os batistas têm origem na Inglaterra, no século XVII, valorizam o batismo na idade adulta e adotam princípios comuns ao protestantismo.
Fonte: Jornal Nacional.
Leia também: Missionários traduzem a Bíblia para índios no MS, SP: metodistas salvam almas nos subterrâneos e Batistas e adventistas ajudam crianças pobres
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Meditatio - 3 Casa - Meditações sobre a Família
Festa de Casamento
Um casamento não é mera formalidade social. Ele tem um significado bem mais profundo. Primeiro, porque duas pessoas querem fazer votos, promessas e assumir compromissos um com o outro diante de Deus, dos pais, parentes e amigos. Segundo, porque eles também desejam receber a bênção de Deus sobre sua união. Trata-se de um momento de alegria, de encontro, de comida, bebida, bolo, danças. Surgem, então, emoções do fundo da alma, emoções muitas vezes reprimidas pelas agruras do cotidiano.Batistas e adventistas ajudam crianças pobres
O que pode acontecer quando alguém decide, simplesmente, ajudar? Estender a mão para quem precisa.
Jovens demais para ter lembranças que só existem em sonhos. O da menina, esta noite, foi com a mãe, com quem não pode mais morar. “A mãe de verdade é bem melhor do que o sonho, porque ela é real. Não estou com ela porque a gente não se deu bem”, a menina conta.
Em uma rua especial, onde casas em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, moram meninos e meninas que foram retirados da guarda dos pais por ordem da Justiça. Crianças que viviam largadas nas ruas, pedindo dinheiro nos sinais de trânsito, sofrendo todo o tipo de violência.
Para dezenas de crianças que pareciam não ter futuro, este é seu novo endereço: a Associação Evangélica Resgate e Ame, que poderia muito bem ser chamada de Rua da Esperança ou da Salvação.
Hoje, o abençoado pão de cada dia vem pelas mãos dos integrantes da Igreja Batista Brasileira, uma das várias igrejas que derivam da Igreja Batista, fundada no século XVII na Inglaterra.
Os Batistas são hoje no Brasil 1,5 milhão de fiéis, que frequentam cultos em 7,5 mil templos.
“A doutrina pentecostal enfatiza e muito essa capacidade dos indivíduos de desenvolver o dom do Espírito Santo”, explica a socióloga Maria das Dores Machado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
É uma grande família unida pela fé, que tem suas regras. Escola, todos os dias. Depois dos estudos, almoço, aulas de reforço, de música e de dança. Não tinham futuro, hoje sonham até com a universidade.
Simone é uma das poucas mães que aparecem por aqui. A filha dela sabe que a esperança de reunir a família de novo está no abrigo.
“Eu me mantendo aqui dentro. Vai ser melhor para ela, porque quando eu sair, eu vou ajudá-la, porque, se eu não ficar aqui, eu não vou ter futuro. Quero ser advogada, eu quero defender os direitos das pessoas”, revela Bruna Ferreira, de 13 anos.
A rua encantada construída com o cimento da fé no evangelho só existe graças à assistente social Gislaine Monteiro Freitas, coordenadora do REAME.
Vinda também de família muito pobre, começou dando atenção e carinho a crianças de rua em um banco de praça.
“Tudo começou de forma despretensiosa. Apenas uma rua, mas a coisa foi chegando e a gente conseguiu comprar uma rua para as crianças, uma rua sem sofrimento”, afirma Gislaine.
Em uma favela do Rio, seguidores do Evangelho viraram pescadores de crianças mergulhadas na vida violenta do bairro. A função do Centro Adventista de Desenvolvimento Comunitário é ensinar a palavra de Deus e fazer sorrir, por dentro e por fora.
A Igreja Adventista foi criada nos Estados Unidos no século XIX e tem hoje no Brasil 1,2 milhão de fiéis. Guardam o sábado para atividades religiosas e valorizam as coisas da natureza.
Alimento saudável, sem agrotóxico para as crianças, no segundo almoço do dia. Tem jeito de escola, mas o centro mais parece uma grande gincana, que começa aos 7 anos de idade e vai até os 15, com jogos, brincadeiras e música.
Resultado? “Esse lugar é muito gostoso de ficar”, diz uma das crianças.
“Mudou muita coisa em mim. Antigamente, eu não sabia contas na escola e depois que fui aprendendo aqui, estou na sétima série e indo em frente”, conta Vinícius, de 14 anos.
A transformação que acontece na vida de uma criança não é pequena. São mudanças no corpo e na alma. Há cinco anos, quando o projeto começou, a principal resposta para a pergunta ‘o que você quer ser quando crescer?’ era ‘bandido’.
Hoje, bom hoje. “Bombeiro”. “Trabalhar na Aeronáutica”. “Pediatra”. “Médico, para salvar as pessoas da dengue”.
O centro começou com uma sala pequena. Hoje, já são 180 vagas para uma comunidade com sede de oportunidade.
“Para muitos deles, se não fosse essa ação social religiosa evangélica, talvez não tivessem acesso a esses programas e serviços”, explica Gislaine.
Agora outras 500 crianças esperam por uma chance de crescer no rumo do bem, pelas mãos de quem vive na prática os ensinamentos de Jesus.
“No mundo de dimensões tão grandes, a gente vê que a gente pode proporcionar uma perspectiva de vida melhor para uma pessoa fazendo tão pouco. Elas têm certeza de que podem ser alguém melhor. Tem uma passagem em Apocalipse que diz o seguinte: não mais ranger de dentes, não mais pranto, nem dor. Aqui é lugar de gente feliz, lugar de sorrir, lugar de esperança”, conclui Glauciete da Cruz Batista, coordenadora do Centro Adventista.
Fonte: Jornal Nacional.
Leia também: Missionários traduzem a Bíblia para índios no MS e SP: metodistas salvam almas nos subterrâneos
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Meditatio - 2 Caminhada - Meditações sobre a Vida Cristã (2)
Santidade
A ilusão religiosa nos leva a pensar que, se não confessarmos nossos pecados, Deus não ficará sabendo. Isso cria um tipo de esquizofrenia espiritual, uma vida dupla na qual a agenda paralela e secreta de pecado convive com cerimônias, discursos e práticas religiosas. O fariseu é alguém que conhece as Escrituras, mas vive atrás dessa fachada religiosa, resistindo à transformação mais profunda do caráter.(...)
Confundimos santidade com moralismo. A moral está relacionada com princípios socialmente aceitos. Santidade não é uma moral da boa conduta; é a própria presença do Espírito Santo infundindo em nós o caráter de Cristo, que é amoroso, alegre, pacífico, longânimo, benigno, bondoso, fiel, manso e sereno.
Outras vezes confundimos santidade com legalismo. O legalismo está relacionado com as proibições e conseqüentes punições aos infratores. O fruto do Espírito é diferente. Não se baseia em proibições, mas no potencial humano, amparado por Deus, de fazer o bem e resistir ao mal.
(...)
O santo, portanto, não é aquele que não peca, mas o que sabe reconhecer e admitir que é pecador e encontra, na cruz de Cristo, o perdão de Deus. Só quem chora aos pés da cruz por sua miserável natureza caída pode experimentar a alegria do perdão e do acolhimento de Deus.
(...)
A verdadeira santidade reside no gesto simples do cotidiano, e não no discurso ou na produção religiosa.
Autor: Osmar Ludovico
Editora: Mundo Cristão
Páginas: 208
Categoria: Espiritualidade
Ano: 2007
Leia também: Meditatio - 1 Comunhão - Meditações sobre a Devoção e Meditatio - 2 Caminhada - Meditações sobre a Vida Cristã (1)
Estante Social
- ALMEIDA, Ronaldo de & MONTEIRO, Paula. Trânsito Religioso no Brasil. São Paulo em Perspectiva. (Artigo)
- ALVES, Carmen Lucia Rodrigues. O evangelho segundo o McDonald's: um estudo sobre o processo de produção da fast-food. PUC/SP. (Dissertação Mestrado)
- ASSIS, Machado de. A Igreja do Diabo. In: Volume de contos. Rio de Janeiro : Garnier, 1884.
- BAPTISTA, Saulo de Tarso Cerqueira. Cultura política brasileira, práticas pentecostais e neopentecostais: a presença da Assembléia de Deus e da Igreja Universal do Reino de Deus no Congresso Nacional (1999-2006). São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2007. (Tese Doutorado)
- BITENCOURT, Joceval Andrade. Descartes e a morte de Deus. PUC/SP, 2008. (Tese Doutorado)
- BRAGA, Eliézer Serra. Santas e sedutoras: as heroínas na Bíblia hebraica - a mulher entre as narrativas bíblicas e a literatura patrística. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP. (Dissertação Mestrado)
- CALDAS, Carlos. Fundamentos da Teologia da Igreja. Mundo Cristão Ed. (frag.)
- CAMPOS, Alexsandra Fernandes. A religião no processo psicoterapêutico. PUC/SP. (Dissertação Mestrado)
- CAMPOS, Leonildo Silveira. A Igreja universal do reino de Deus, um empreendimento religioso atual e seus modos de expansão (Brasil, África e Europa). In: Lusotopie 1999, pp. 355-367. (Artigo)
- CAMPOS, Leonildo Silveira. CULTURA, LIDERANÇA E RECRUTAMENTO NUMA ORGANIZAÇÃO RELIGIOSA - O CASO DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DEUS. (Artigo)
- CARD, Michael. Cristo e a Criatividade. Ultimato Ed. (frag.)
- CHESTERTON, G.K. Ortodoxia. Mundo Cristão Ed. (frag.)
- CLAYTON PIRES, Anderson. A hermenêutica política da esperança de Jürgen Moltmann em diálogo com a espiritualidade neoprotestante brasileira: o binômio saúde e doença como um novo paradigma hermenêutico de teologicidade. E.S. de Teologia Instituto Ecumênico de Pós-Graduação. (Tese Doutorado)
- COSTA, Yon Morato Ferreira da. Religião e alienação: uma análise crítica do modus vivendi do adolescente na Torre de Vigia. Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2008. (Dissertação Mestrado)
- CÉSAR, Marília de Campos. Feridos em Nome de Deus. Mundo Cristão Ed. (frag.)
- DIAS, Solange Irene Smolarek. História da Arte. CAU, Fac. Assis Gurgacz. (apostila)
- FAVERO, Roberto Carlos. Humanismo: uma releitura existencial de Albert Camus e Jean-Paul Sartre. UNISINOS, 2006. (Dissertação Mestrado)
- FIGUEREDO FILHO, Valdemar. Entre o palanque e o púlpito: mídia, religião e política. UFRJ/ IFCS. (Dissertação Mestrado)
- FIGUEREDO FILHO, Valdemar. RETÓRICA POLÍTICA DO JORNAL FOLHA UNIVERSAL. (Artigo)
- FONSÊCA, Francisco Ricardo Bezerra. Amo muito tudo isso: o relacionamento marca-consumidor sob o enfoque da fenomenologia clarificadora de Edmund Husserl. UFPE. (Dissertação Mestrado)
- FRESTON, Paul. Religião e política, sim; Igreja e Estado, não : os evangélicos e a participação política. Viçosa, MG: Ultimato, 2006.
- GONÇALVES, Marcos. ENTRE O PALANQUE E O PÚLPITO: MÍDIA, RELIGIÃO E POLÍTICA. História: Questões & Debates, Curitiba, n. 43, p. 191-196, 2005. Editora UFPR. (Resenha)
- GUSSO, Ana Cláudia. A Comunicação de Mercado a Serviço da Igreja: em busca da fidelização. Universidade Metodista de SP, 2008. (Dissertação de Mestrado)
- JUNGBLUT, Airton Luiz. A salvação pelo rock: sobre a “cena underground” dos jovens evangélicos no Brasil. Religião e Sociedade, Rio de Janeiro, 27(2): 144-162, 2007. (artigo)
- KAWAUCHE, Thomaz Massadi Teixeira. A santidade do contrato e das leis: um estudo sobre religião e política em Rousseau. USP. (Dissertação Mestrado)
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