As Crônicas de Gelo e Fogo

Pesquisar este blog

quinta-feira, 17 de julho de 2008

100 POSTS - Comemorativo: Vale do Jequitinhonha... Saudades de Almenara.

Postagem especial, a de nº 100. Por isso, vai um mapa legal da minha região que encontrei. Isso me faz lembrar que preciso conhecer melhor minha terra natal. Um dia eu consigo... Eis o Vale do Jequitinhonha, região Nordeste de Minas gerais.


Fonte: Suplemento Literário de Minas Gerais, Nov./2006, p. 05.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

FILOSOFIA

A vida
tem várias versões
- Eu prefiro
a mais simples,
a sem enfeites,
como a correnteza
das águas.

Adão Ventura. In: Suplemento Literário de Minas Gerais, nov/2006, p. 38.

Relaxar e... rir!

Enterro do Cardiologista

Um cardiologista muito conhecido morreu e seu funeral foi muito pomposo e muitos dos seus colegas médicos compareceram.
Durante o velório, um enorme coração rodeado de coroa de flores permaneceu atrás do caixão.
Após as ultimas palavras do padre, o coração se abriu e o caixão entrou automaticamente no enorme coração. O coração então se fechou, levando no seu interior o famoso médico para sempre.
Neste momento, um dos presentes explodiu na risada. Quando questionado por que ria neste momento impróprio, ele disse:
- Desculpem-me eu estava apenas pensando como seria o meu próprio funeral... Eu sou um ginecologista.
Neste exato momento, o proctologista desmaiou.

CINECLUBE CULTURA JULHO 2008 - Concerto de Vozes


CINECLUBE CULTURA
JULHO 2008
Concerto de Vozes

Esta mostra é dedicada à cantora, regente e professora Edmar Ferretti


Dia 12 – sábado
DIANA KRALL LIVE IN PARIS
Nesta apresentação ao vivo no Olympia em Paris, Diana Krall apresenta uma seleção de clássicos da música americana e da bossa-nova, acompanhada pela Orchestre Symphonique Europeen e a Paris Jazz Big Band, além dos músicos de sua banda, vindos especialmente de Los Angeles e da participação especial do lendário maestro Claus Ogerman. Cor. 130 min.

Dia 13 – domingo
DIONNE WARWICK - LIVE AT SYRACUSE JAZZ FESTIVAL 2003
Às vésperas de completar meio século de carreira, Dionne Warwick realizou um excelente concerto no Festival de Jazz da cidade americana de Syracuse. Cor. 138 min.


Horário: 20 horas

Local: Oficina Cultural de Uberlândia - Sala Roberto Resende
Pça. Clarimundo Carneiro, 204


Entrada Franca


Cineclube Cultura é um projeto de caráter cultural, sem fins lucrativos
Lei nº 9.696/2007 e Decreto 10.999/2007


Fonte: email enviado por Paulo Torres.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Jequitinhonhês - O dialeto do Vale - Mineirês. (2)

Outro email que recebi (esse é antigo). Só um pouquinho da cultura do Vale... Parece de outro mundo, nem quem é de lá entende isso direito.

Jequitinhonhês - O dialeto do Vale


Urubu não chupa cana
língua de sogra não tem peçonha
cantador pra ter coragem
não precisa ter vergonha
vou cantar a minha terra
Vale do Jequitinhonha

Nossa língua é diferente
quando eu falo você nota:
resfriado é difruço
nome de rã é caçota
quilo e meio pra nós é prato
e carro de mão é galinhota

Derrancado é estragado
inginhar é encolher
crocodilar é trair
inricar é enriquecer
conversa fiada é ingrisia
e bater caçuleta é morrer

Madorna quer dizer cochilo
besteira é sinônimo de bestagem
gastura é o mesmo que coceira
tutano quer dizer coragem
gavar o toco é elogiar
rotar quibêbe é contar vantagem

Zanzar é andar sem rumo
e obrar é defecar
apurado é cabloco nervoso
e ouvir é assuntar
trabalho pesado é barrufo
e escrever é assentar

Veronca é uma moeda qualquer
Ana é o apelido de um cruzeiro
Nica também é moeda
e puba quer dizer dinheiro
doutor é o nome do urinol
e goró é cabloco roceiro

O órgão genital feminino
é danado pra ter nome diferente:
pressiguida é um deles
pra dizer no meio de gente
belarmina, míndia ou prequita
até parece nome inocente

Restojo é o mesmo que resto
e ruir é destiorar
visagem é assombração
e zunir é arremesar
nascida é nome de furúnculo
e tinir alguém é matar

Gibeira é o bolso da calça
que nunca anda lotado
ficar pensando é bistuntar
cubar é olhar de lado
desinxavido é inexpressivo
e cabloco elegante é espigado

Quebrar a orêia de um objeto
e o mesmo que dobrar
nome de colo é cacunda e escanchar
china é bolinha de gude
e dar pinicão é beliscar

Arrigestir é resistir
melar quer dizer buzuntar
ajutório é o mesmo que ajuda
cobrir o corpo é ribuçar
fôrgo é o apelido do fôlego
e dar fôrgo morto é roubar

Pocar é estourar
ficar perrengue é adoecer
lançar quer dizer vomitar
e virar um peido é correr
negar à direita é dobrar
embainhar o facão é envelhecer

Burriscar quer dizer rabiscar
a leitura é sabedoria
coxé é quem manca muito
encheção de savo é livuzia
pipoco é o mesmo que estrondo
e cartilogência é categoria

Abrir o pano ou limpar o beco
você sabe o que quer dizer?
É o mesmo que virar um peido
se não deu para entender
eu explico mais detalhado
é azular, sumir ou correr

Tiçar a mão, picar o tapa
tudo significa bater
pêia é o caboclo esperto
incapaz de esmorecer
deu upa é ficou difícil
mas foi fácil você entender

TADEU MARTINS - JOGANDO CONVERSA FORA

Mineirês.

É apenas um email que recebi.

SOTAQUE MINEIRO: É ILEGAL, IMORAL OU ENGORDA?

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora? Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor. Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.
Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe –se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem:'pó parar'. Não dizem: 'onde eu estou?', dizem:'ôncotô?.
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas Gerais, supõem,precipitada e levianamente, que os mineiros vivem - lingüisticamente falando -apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.
Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade.Fala que ele é 'bão de serviço'. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro -metaforicamente falando, claro - ele é bão de serviço.
Faz sentido...Mineiras não usam o famosíssimo 'tudo bem'. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: 'cê tá boa?' Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário. Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: -Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc). O verbo 'mexer', para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer,por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.
Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sô cê (se você) acha que não vai chegar a tempo,você liga e diz:- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô. Esse 'aqui' é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.
Mineiras não dizem 'apaixonado por'. Dizem, sabe-se lá porque,'apaixonado com'. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: 'Ah, eu apaixonei com ele...'. Ou: 'sou doida com ele' (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.
Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: 'E aí,vão?'. Traduzo: 'E aí, vamos?'. Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro,com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:- Eu preciso de ir. Onde os mineiros arrumaram esse 'de', aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório.Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam... Você não precisa ir, você 'precisa de ir'.Você não precisa viajar, você 'precisa de viajar'. Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará: Ah, mãe, eu preciso de ir?
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu?Agarrar é agarrar, ora! Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará : - Ai, gente, que dó.
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Não vem caçar confusão pro meu lado. Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro 'caça confusão'. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele 'vive caçando confusão'.
Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom vai dizer: 'Ô, é sem noção'. Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o 'Ô' no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?
Capaz... Se você propõe algo ela diz: capaz !!!Vocês já ouviram esse 'capaz'? É lindo! Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer 'cê acha que eu faço isso'!? com algumas toneladas de ironia.. Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: 'ô dó dôcê'.
Entendeu? Não? Deixa para lá. É parecido com o nem...'. Já ouviu o 'nem...'? Completo ele fica:- Ah, nem...O que significa? Significa,amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: 'Meu amor, ce anima de comer um tropeiro no Mineirão?'. Resposta: 'nem...' Ainda não entendeu?Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?
A propósito, um mineiro não pergunta: 'você não vai?'. A pergunta, mineiramente falando, seria: 'cê não anima de ir'? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem...Falando em 'ei...'. As mineiras falam assim, usando,curiosamente, o 'ei' no lugar do 'oi'. Você liga, e elas atendem lindamente: 'eiiii!!!', com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade...
Tem tantos outros... O plural, então, é um problema. Um lindo problema,mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar,com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar: Ah, fui lá comprar umas coisas...-Que' s coisa? - ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.
Ouvi de uma menina culta um 'pelas metade', no lugar de 'pela metade'. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa,confidenciará : - Ele pôs a culpa 'ni mim'. A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas...
Ontem , uma senhora docemente me consolou: 'preocupa não, bobo!'.E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: 'não se preocupe', ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. E diz tudo. Até o tchau em Minas é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz:'tchau pro cê', 'tchau pro cês'. É útil deixar claro o destinatário do tchau.'

(Felipe Peixoto Braga Netto (1973) afirma que não é jornalista, não é publicitário, nunca publicou crônicas ou contos, não é, enfim,literariamente falando, muita coisa, segundo suas palavras. Mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais. Ele diz que nunca publicou nada, mas a crônica que apresentamos foi extraída do livro 'As coisas simpáticas da vida', Landy Editora, São Paulo (SP) - 2005, pág. 82)

Gun's finalmente... em game.

Guns N' Roses vai lançar música em game
Por Redação Yahoo! Notícias

E a novela do novo CD do Gun N' Roses, "Chinese democracy", pode estar chegando ao fim. Depois das músicas vazarem na internet e o autor do feito quase ter sido preso, Axl Rose resolveu diminuir (um pouco) a espera dos fãs.
A banda anunciou que vai lançar o single "Shackler's revenge" no game "Rock Band 2", em setembro.
O jogo, que será lançado para Xbox 360 e Playstation 3, terá, além do Guns, mais outras 80 músicas de bandas como AC/DC, Metallica, Nirvana e Pearl Jam.
Os games de música, como o "Rock Band" e o "Guitar Hero" estão sendo utilizados como forma de divulgação por muitas bandas em boa ou má fase.
No caso do Guns N' Roses, o álbum "Chinese Democracy" levou dez anos para ficar pronto e a última data de lançamento - que não aconteceu - anunciada pela banda foi em março de 2007.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Revolução às avessas de Rodolfo, o ex-doidão

"Meu sonho tinha virado pesadelo", diz ex-cantor dos Raimundos
Bruno Paes Manso
Já se disse, com uma certa dose de razão, que três sons estão por trás da felicidade dos homens: o tilintar das moedas, o gemido das mulheres e o alarido das palmas. Felizes seriam aqueles que descobrissem como ouvi-los com uma certa regularidade.

Em 2001, aos 29 anos, o vocalista e guitarrista Rodolfo Abrantes, líder dos Raimundos, já poderia, com tranqüilidade, ser considerado felizardo. Vivia em São Paulo, cheio de grana. Nas noites da cidade, era bajulado pelos fãs e chegava a perder peso e ficar com a pele acinzentada, tamanha a quantidade de baladas que freqüentava, regadas a maconha e ácido sempre de boa qualidade.
Sem falar nas groupies, meninas bonitas e recém-saídas da adolescência. Rodolfo só ia para casa desacompanhado se quisesse. "O palco exerce um certo fascínio sobre os outros. As pessoas gostavam do cara que viam lá em cima. E eu sempre fui de mergulhar de cabeça em tudo", conta.
Se mulheres e dinheiro já não bastassem, Rodolfo também tinha reconhecimento. Com 2,5 milhões de discos vendidos, já havia produzido um clássico da geração dos 1990, justamente o disco de estréia, Raimundos, que fazia uma releitura do som pesado e melódico da banda americana Ramones, com referências do forró.
Ele havia alcançado tudo o que sonhara desde os 13 anos, quando freqüentava o bar do Gilbertinho, em Brasília, cidade onde nasceu, para ver de perto os integrantes de bandas como Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial, que já haviam despontado no Brasil. "Nunca fui um moleque de soltar pipas. Tudo o que sempre quis na vida foi tocar guitarra e ter uma banda de rock", lembra.
Justamente no auge da fama e do dinheiro, uma coisa estranha aconteceu. Rodolfo conta ter percebido que, na verdade, havia chegado ao fundo do poço. O mau humor era permanente. A relação com a namorada, sintonizada na mesma vibe drogas-baladas, era destrutiva. "As pessoas confundem estar feliz com ser feliz. Drogas, sexo e balada dão a ilusão de momentos da felicidade, que duram pouco. Ser feliz é outra coisa", filosofa.
Numa espécie de revolução às avessas, Rodolfo preparava seu espírito para voltar a ter ordem na vida. "Eu havia virado escravo daquele personagem. Meu sonho tinha virado um pesadelo. Eu não agüentava mais aquela vida frenética e sem rumo. Foi quando Jesus Cristo entrou na minha vida."
A conversão veio acompanhada de uma situação que ele chama de mística. Estava magro, com ínguas pelo corpo. Mesmo sem diagnóstico médico, suspeitava estar com câncer. A mulher, convertida, chamou algumas senhoras para orarem por ele. "Não posso dizer qual era a doença. Só sei que estava mal e fiquei bem", diz.
Na última quinta-feira, sete anos depois da conversão, Rodolfo era mais um entre as 2 mil pessoas na Igreja Bola de Neve, na zona oeste. Discreto, de calça e jaqueta jeans, assistindo ao show de uma banda gospel chamada Livres para Adorar, com um vocalista coreano, no 15º Congresso de Batalha Espiritual. "A banda é sensacional", comentou, na manhã seguinte, em um boteco da Alameda Santos, enquanto comia um prato de laranja, mamão, banana, morango e fatias de peru.
Morando em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, lançou dois CDs evangélicos em carreira-solo: Santidade ao Senhor (2006) e Enquanto É Dia (2007), vendendo cerca de 20 mil cópias. Não é mais um rock star. Assumiu de vez o papel de missionário. Dedica-se integralmente a dar seus testemunhos por igrejas do Brasil e do mundo. As músicas são tocadas em louvores antes dos cultos. Esteve em Belém e Santarém, antes de vir a São Paulo. Nas próximas semanas, vai pregar nos Estados Unidos e no Japão.
Mesmo defendendo o amor eterno à mulher e à vida comedida, ele nega o rótulo de careta. As tatuagens, boa parte feita durante a vida louca, permanecem. Da fase nova, fez uma menorá (candelabro judaico) no pescoço. Os buracos na orelha, de 20 e 16 milímetros, feitos com alargadores, foram fechados com cirurgia plástica. Rodolfo não sente falta da fama. "Acredito no sucesso. Um padeiro ou um pedreiro podem ter sucesso se fazem seu trabalho bem feito. É o que eu busco. Não sinto falta do reconhecimento dos homens", fala. Digão, Canisso e Fred, ex-companheiros de Raimundos, mesmo depois das brigas da separação, deixaram Rodolfo emocionado ao comparecerem ao enterro do pai dele, no ano passado. "Ainda vamos dar muita risada do que rolou", diz.

Fonte: Estadão, em: domingo, 13 de Julho de 2008.

A supremacia do bem

Escrevo sob o impacto das últimas notícias, que me despertam memórias remotas, como fantasmas que se recusam à cova. A Operação Satiagraha (movimento de resistência à ocupação britânica na Índia, proposto por Mahatma Gandhi e caracterizado pela não-violência), deflagrada pela Policia Federal, relativa às relações entre o famigerado “mensalão” e um amontoado de empresas predestinadas ao desvio de verbas públicas, coloca os brasileiros, mais uma vez, diante da corrupção sistêmica e aparentemente insuperável. Eis o mal mostrando sua carranca criminosa desde os degraus mais elevados do poder social e econômico. A morte do pequeno João Roberto Amorim Soares, 3 anos, insiste em lembrar que as ruas das nossas cidades vão, aos poucos, se confundindo com os cenários dos velhos filmes de faroeste, com a suspeita de que alguns policiais se acreditam mesmo encarnações de John Wayne. Mais uma criança abatida, agora brincando de roda de mãos dadas com João Helio, Isabella Nardoni e milhares de outras, que não tiveram tempo de descobrir que pais é esse. Eis o mal mostrando sua carranca infanticida nas calçadas das grandes metrópoles. As fotos de Ingrid Betancourt, resgatada dentre mais de 700 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), estampando as primeiras páginas dos jornais, alimentam o debate a respeito da legitimidade do poder, seus meios e fins, no emaranhado geopolítico em que estamos todos mergulhados. Eis o mal mostrando sua carranca gananciosa nos palanques da ideologia.
A lista poderia se estender, mas estes poucos fatos são suficientes para alertar quanto ao maior mal que o mal pode causar, a saber, nos conduzir a não crer em mais nada, nem mesmo em Deus, nem sequer em nós mesmos, nem na vida. Mas escrevo para lembrar Musil, o filósofo austríaco: “O homem é capaz de tudo, até mesmo de fazer o bem”. E também para compartilhar a reflexão de Jean Delumeau: “O mal certamente existe. Mas o bem também. O belo existe. A ternura existe. Todos podem constatar isso cotidianamente. Não fazer entrar a realidade do bem em uma análise da condição humana é cometer uma subtração ilegítima (...) Com os meios modernos de destruição pode-se hoje aniquilar em dois minutos uma cidade cuja construção e extensão haviam exigido dois mil anos de esforços. Contrariamente ao mal, o bem não faz barulho. Essa ‘discrição’ faz com que não o levemos suficientemente em consideração em nosso juízo sobre o mundo. ‘Ouve-se o estrondo da árvore que é derrubada, mas não se ouve a floresta que cresce’, diz o provérbio. A floresta que cresce silenciosamente é o bem que é realizado a cada dia na Terra, em torno de nós e também – por que não? – por nós (...) Suponha que, de repente, o voluntariado deixasse de existir, que subitamente ninguém mais viesse a ajudar ninguém... com isso a existência cotidiana ficaria paralisada e a vida se tornaria insustentável. A humilde generosidade de cada dia está na própria base do tecido social. Mas ela não atrai a atenção das mídias. Estamos tão acostumados com ela que não a percebemos. Em compensação, seu desaparecimento repentino criaria um vazio impossível de ser preenchido” (Delumeau, Jean. À espera da aurora: um cristianismo para o amanhã. São Paulo: Edições Loyola, 2007).
Jesus afirmou o sal da terra e a luz do mundo. Não fossem os que respondem sim ao convite do Deus que é pura bondade, o mundo ficaria em trevas, e a terra seria um lugar sem graça onde se viver. Eis o Cristo, triunfando, e mostrando sua face amorosa todos os dias, em todo lugar, através daqueles que não se deixam vencer pelo mal, mas vencem o mal com o bem.

Fonte: Galilea, Ed René Kivitz.

Osama santista.

Deu a lógica...

São Paulo 2 X 1 Pameiras. Aqui sempre a porca torce do rabo.

Os jovens "sem religião": ventos secularizantes, "espírito de época" e novos sincretismos.

Resumo de: NOVAES, Regina. Os jovens "sem religião": ventos secularizantes, "espírito de época" e novos sincretismos. Notas preliminares. Estud. av., dez. 2004, vol.18, no.52, p.321-330. ISSN 0103-4014.
O NÚMERO de brasileiros "sem religião", sobretudo jovens de 15 a 24 anos, tem chamado a atenção dos estudiosos. O artigo aponta para a conjugação e a convivência entre: ideário secularizante (presente entre ateus e agnósticos); o "espírito do tempo" (presente entre aqueles que acreditam em Deus mas rejeitam instituições religiosas ou transitam entre pertencimentos institucionais) e, finalmente, as novas modalidades sincréticas (favorecidas pela perda de hegemonia do catolicismo e pela globalização do campo religioso).


Fonte: Scielo. Artigo completo.